A palestra será com Ruth Newberry, professora do Centro de Estudos sobre Bem-Estar Animal da Universidade de Washington, EUA. Na terça (20/5), às 10h, no auditório da pós-graduação do Centro de Ciências Agrárias da UFSC.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
A gente adora uma muvuca!
Por Míriam Santini de Abreu, jornalista no SINTRAJUSC
A gente adora uma muvuca! Basta caminhar no centro das cidades para perceber: o povo pára quando percebe uma agitação incomum, um alarido, um bafafá. Formam-se aquelas rodas cerradinhas, quem está fora nada vê, tem que chegar perto, forçar passagem, esticar o pescoço. Mesmo os apressados estreitam as sobrancelhas para tentar ver algo que dê uma pista do motivo para a curiosidade.
Há nas ruas das cidades - como há em Florianópolis - esses seres incomuns: o velho, tocador de viola, chapéu preto com algumas pratas juntadas ao longo do dia; os guarani, meninos e meninas ainda, com sua canção pungente, que sempre deixa a alma um pouco dolorida, ligada a um passado que, às vezes, ameaça não ter futuro; o vendedor de homens-aranha, que lança os pegajosos bonequinhos paredes acima enquanto grita: - Lá vem eles, lá vem eles!; o homem da cobra, estranhas ervas à venda, ameaçando os transeuntes com uma suposta cobra dentro de um saco. E como fala, esse o homem da cobra!
São acontecimentos da vida urbana bons de perceber. Revelam pequenas afrontas ao tempo do relógio, das mercadorias, da produção. Trinta segundos, um minuto, cinco, pouco mais, pouco menos, tirados para perceber a vida que pulsa na cidade, antes da entrega ao “expediente”. Tempo mágico, de desafio, impetuoso ao quebrar a rotina, arriscar um percurso diferente, um movimento mais sinuoso do corpo, um pensamento hostil ao estado de coisas dito normal.
O geógrafo Milton Santos dizia que, se há um futuro possível, ele está sendo gestado nas cidades, onde revela-se de maneira crua o desamparo a que boa parte da população está relegada mas, que, também, abre novas possibilidades de ampliação da consciência. Em seu livro “Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal”, ele diz que é nas cidades que se observarão a renascença e o peso da cultura popular.
Pena que esse espaço público apareça sempre tão negativamente na mídia. A rua é confundida com pista de veículos, com espaço de comércio – “comércio de rua” em contraposição ao “comércio de shopping”. Há poucas notícias e reportagens que abram outros sentidos, permitindo que essa vida que pulsa nas cidades apareça, mostre-se em suas belezas e feiúras. Mas Milton Santos também acreditava que, sob a pressão das situações locais, das pessoas vivendo nos lugares, se gestaria uma “comunicação imaginosa e emocionada”. Esse tempo virá, e para dar notícias desse espaço.
Se Marx fosse peão
Sentença em processo na Vara do Trabalho de Joinville sobre demissões na empresa Cipla usou uma bela poesia para ilustrar a situação do trabalhador:
A estância se acordou em dia de campereada
chiando pelas cambonas pra se iniciar a mateada.
De repente, um peão barbudo - atando a segunda espora - abriu a boca sisuda,
pondo os olhos campo a fora.
E falou pros companheiros de mesmo rumo e ofício
numa tal de "mais valia" falando em tom de comício
Contando um pouco de história - revoluções, coisa e tal -
foi falando de "trabalho", "propriedade" e "capital".
Terêncio ficou sabendo, com os "óio arregalado"
o que nunca, então, pensara: "todo o peão é explorado"...
E aquele peão barbudo, com a melena comprida,
foi falando enquanto via toda a peonada reunida...
"A peonada leva a tropa pra morrer no matadouro,
esfola a bunda nos "basto" o sol véio queima o couro-
mas o patrão barrigudo é que embolsa todo o ouro!
Se madruga todo dia pra "laçá" e "curá" bicheira,
se afunda os "garrão" no barro co'essas "vaca" da mangueira
- e o que nos sobra de tudo? só hemorróida e "frieira!"
"E ainda fazem rodeio em nome da Tradição!
Os "boi" de língua de fora pr'alegria do patrão!
O que era duro ofício se transforma em diversão
"E tem mais: a propriedade deve ser de quem trabalha!
"Quem sustenta a casa-grande são nossos "rancho" de palha
e se a peonada joga truco, o patrão é quem baralha!
"Nisto, chega o capataz, sempre de cara amarrada...
O Carlos fica solito, falando pra madrugada:
"... E tem gente trabalhando sem ter carteira assinada!"
Cada um pegou seu laço pra mais um dia de lida.
O sol campeiro encilhou a pampa verde estendida...
E aquele peão, no outro dia, pediu as contas - se foi...
tangendo um sonho distante, ouvindo um berro de boi.
Alguns dizem que o patrão é que botou porta a fora,
porque não tinha no lombo as marcas da velha espora.
E seguiu a velha estância no mesmo tranco, afinal:
Terêncio tirando leite, Nestor montando bagual...
O patrão com a guaiaca forrada dos "capital"...
(FARIAS, Juarez Machado de, Se Marx fosse peão. CD Sesmaria da Poesia Gaúcha) www.paginadogaucho.com.br/poes/smfp.htm
10% dos mais ricos no Brasil detêm 75% da riqueza, diz Ipea
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) elaborou um levantamento que aponta as desigualdades no Brasil. Um dos dados mostra que os 10% mais ricos concentram 75,4% da riqueza do País.
Os dados, obtidos pela Folha Online, foram apresentados pelo presidente do Ipea, Márcio Pochmann, nesta quinta-feira (15), ao CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). O objetivo, segundo ele, é oferecer elementos para a discussão da reforma tributária.
A pesquisa também mostra como é essa concentração em três capitais brasileiras. Em São Paulo, a concentração na mão dos 10% mais ricos é de 73,4%, em Salvador é de 67% e, no Rio, de 62,9%.
Para Pochmann, a injustiça do sistema tributário é uma das responsáveis pelas diferenças. "O dado mostra que o Brasil, a despeito das mudanças políticas, continua sem alterações nas desigualdades estruturais. O rico continua pagando pouco imposto", afirmou.
Apenas para efeito de comparação, ao final do Século 18, os 10% mais ricos concentravam 68% da riqueza no Rio de Janeiro - único dado disponível. "Mesmo com as mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamente distribuída entre os brasileiros. É um absurdo uma concentração assim", afirma.
A pesquisa do Ipea também mostra o peso da carga tributária entre ricos e pobres, que chegam a pagar até 44,5% mais impostos. Para reduzir as desigualdades, o economista defende que os ricos tenham uma tributação exclusiva.
Pochmann afirmou que um dos caminhos é discutir uma reforma tributária que melhore a cobrança de impostos de acordo com a classe social. "Nenhum país conseguiu acabar com as desigualdades sociais sem uma reforma tributária", afirmou.
A pesquisa do Ipea também mostra um dado inédito. A carga tributária do País, excluindo as transferências de renda e pagamento de juros, cai a 12%, considerada por Pochmann insuficiente para que o Estado cumpra as suas funções.
Pobres pagam mais
Segundo o estudo, a carga tributária representa 22,7% da renda dos 10% mais ricos. Para os 10% mais pobres, no entanto, o peso equivale a 32,8% de sua renda.
A base da arrecadação no Brasil é mais forte na chamada tributação indireta, ou seja, embutida em alimentos ou bens de consumo. Como o brasileiro mais pobre gasta a maior parte de sua renda em consumo, paga mais impostos.
Considerando apenas a tributação indireta, a carga dos mais pobres é de 29,1%, contra 10,7% dos mais ricos. Na comparação apenas da tributação direta, como o Imposto de Renda, os mais pobres pagam o equivalente a 3,7% de sua renda, enquanto que os mais ricos pagam 12%.
"O mais pobre compromete mais a sua renda com produtos de sobrevivência, por isso paga mais imposto. A tributação é indireta, que tem estrutura fortemente regressiva", afirmou. Para Pochmann, esse modelo é inaceitável. A pesquisa mostra que, por conta da tributação desigual, a concentração das riquezas continua fortemente nas mãos dos mais ricos. Ele defende a criação de um imposto extra sobre fortunas ou heranças, no caso de patrimônios.
Taxar as grandes fortunas
Os brasileiros mais ricos deveriam pagar um imposto extra sobre suas fortunas ou heranças para reduzir as desigualdades sociais e de renda no País. Essa é a tese defendida pelo presidente do Ipea.
Para ele, o sistema tributário atual não ajuda na redução das desigualdades e a reforma tributária deveria incluir essa medida. "Não há imposto sobre riqueza ou herança. Faltam impostos sobre as fortunas. Apesar das mudanças políticas no país, o rico continua pagando pouco imposto", afirmou.
"O Brasil arrecada mal. A carga tributária é pessimamente distribuída", afirmou Pochmann. Para ele, o novo imposto deveria ficar a cargo da Receita Federal. O estudo também mostra que os 10% mais ricos concentram 75,4% da riqueza do País. (Com agências)
Os dados, obtidos pela Folha Online, foram apresentados pelo presidente do Ipea, Márcio Pochmann, nesta quinta-feira (15), ao CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). O objetivo, segundo ele, é oferecer elementos para a discussão da reforma tributária.
A pesquisa também mostra como é essa concentração em três capitais brasileiras. Em São Paulo, a concentração na mão dos 10% mais ricos é de 73,4%, em Salvador é de 67% e, no Rio, de 62,9%.
Para Pochmann, a injustiça do sistema tributário é uma das responsáveis pelas diferenças. "O dado mostra que o Brasil, a despeito das mudanças políticas, continua sem alterações nas desigualdades estruturais. O rico continua pagando pouco imposto", afirmou.
Apenas para efeito de comparação, ao final do Século 18, os 10% mais ricos concentravam 68% da riqueza no Rio de Janeiro - único dado disponível. "Mesmo com as mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamente distribuída entre os brasileiros. É um absurdo uma concentração assim", afirma.
A pesquisa do Ipea também mostra o peso da carga tributária entre ricos e pobres, que chegam a pagar até 44,5% mais impostos. Para reduzir as desigualdades, o economista defende que os ricos tenham uma tributação exclusiva.
Pochmann afirmou que um dos caminhos é discutir uma reforma tributária que melhore a cobrança de impostos de acordo com a classe social. "Nenhum país conseguiu acabar com as desigualdades sociais sem uma reforma tributária", afirmou.
A pesquisa do Ipea também mostra um dado inédito. A carga tributária do País, excluindo as transferências de renda e pagamento de juros, cai a 12%, considerada por Pochmann insuficiente para que o Estado cumpra as suas funções.
Pobres pagam mais
Segundo o estudo, a carga tributária representa 22,7% da renda dos 10% mais ricos. Para os 10% mais pobres, no entanto, o peso equivale a 32,8% de sua renda.
A base da arrecadação no Brasil é mais forte na chamada tributação indireta, ou seja, embutida em alimentos ou bens de consumo. Como o brasileiro mais pobre gasta a maior parte de sua renda em consumo, paga mais impostos.
Considerando apenas a tributação indireta, a carga dos mais pobres é de 29,1%, contra 10,7% dos mais ricos. Na comparação apenas da tributação direta, como o Imposto de Renda, os mais pobres pagam o equivalente a 3,7% de sua renda, enquanto que os mais ricos pagam 12%.
"O mais pobre compromete mais a sua renda com produtos de sobrevivência, por isso paga mais imposto. A tributação é indireta, que tem estrutura fortemente regressiva", afirmou. Para Pochmann, esse modelo é inaceitável. A pesquisa mostra que, por conta da tributação desigual, a concentração das riquezas continua fortemente nas mãos dos mais ricos. Ele defende a criação de um imposto extra sobre fortunas ou heranças, no caso de patrimônios.
Taxar as grandes fortunas
Os brasileiros mais ricos deveriam pagar um imposto extra sobre suas fortunas ou heranças para reduzir as desigualdades sociais e de renda no País. Essa é a tese defendida pelo presidente do Ipea.
Para ele, o sistema tributário atual não ajuda na redução das desigualdades e a reforma tributária deveria incluir essa medida. "Não há imposto sobre riqueza ou herança. Faltam impostos sobre as fortunas. Apesar das mudanças políticas no país, o rico continua pagando pouco imposto", afirmou.
"O Brasil arrecada mal. A carga tributária é pessimamente distribuída", afirmou Pochmann. Para ele, o novo imposto deveria ficar a cargo da Receita Federal. O estudo também mostra que os 10% mais ricos concentram 75,4% da riqueza do País. (Com agências)
Dieese divulga estudo sobre pisos salariais
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) colocou disponível no último dia 12, em seu site na internet, o “Estudos e Pesquisas número 39, Balanço dos Pisos Salariais Negociados em 2007”.
Em 2007, 56% dos pisos salariais estabelecidos em acordos e convenções coletivas firmadas em 646 processos de negociação atingiram, no máximo, 1,25 salário mínimo. Em 2005, o primeiro ano em que o Dieese, por meio do Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS) realizou este levantamento, 25% das informações então obtidas apresentavam patamar similar.
Por outro lado, no mesmo período diminuiu a proporção de categorias que negociam valores superiores a 2,5 mínimos: passaram de 9,5%, em 2005, para 4,5%, em 2007. A tendência de aproximação dos pisos salariais negociados ao salário mínimo é decorrência dos aumentos reais aplicados ao menor salário oficial do País, nos últimos anos.
Setor econômico
Estes reajustes acima da inflação resultam de campanha desenvolvida pelas centrais sindicais com o objetivo de se estabelecer uma política de correção para este piso. Entre 2005 e 2007, o aumento real do salário mínimo correspondeu a 19%, quando comparado com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar desta concentração de pisos mais perto do salário mínimo, as negociações de 2007 foram favoráveis aos trabalhadores e asseguraram aumentos reais de salário (leia mais), principalmente para o piso, que historicamente tem tratamento diferenciado nas negociações. Assim, embora os ganhos alcançados pelos pisos tenham sido inferiores aos obtidos pelo salário mínimo, esse resultado decorre mais da evolução do salário mínimo e menos da negociação dos pisos salariais.
Quando se considera o comportamento dos pisos segundo setor econômico, verifica-se que o pior resultado ocorreu no setor rural, onde aproximadamente 90% dos pisos acordados superaram o mínimo em no máximo 25%. No comércio, 85% das negociações conquistaram pisos de até 1,5 mínimos e 9%, obtiveram pisos superiores a 2 mínimos.
Formação universitária
Na indústria, quase 80% das convenções e acordos fixaram pisos de até 1,5 salário e mais da metade não superou 1,25. Nos serviços está o maior percentual de pisos que valem mais de 2 mínimos: 14%. Mas o maior piso foi localizado na indústria metalúrgica: 8,5 mínimos.
Os dados de 2007 mostram que os pisos salariais pagos a trabalhadores com formação universitária chegam a corresponder a 2,8 vezes o dos que não têm o mesmo nível de escolaridade. Do painel de 646 informações consideradas em 2007, 33% dos pisos negociados no último ano encontravam-se abaixo do salário mínimo de R$ 415, fixado a partir de 1º março de 2008.
Parte deles correspondia a categorias com data-base entre janeiro e março e que provavelmente já alteraram seus valores. Porém, cerca de 23% do painel são de meses posteriores e seus valores devem ser automaticamente reajustados para o valor do mínimo. (Fonte: CTB)
Em 2007, 56% dos pisos salariais estabelecidos em acordos e convenções coletivas firmadas em 646 processos de negociação atingiram, no máximo, 1,25 salário mínimo. Em 2005, o primeiro ano em que o Dieese, por meio do Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS) realizou este levantamento, 25% das informações então obtidas apresentavam patamar similar.
Por outro lado, no mesmo período diminuiu a proporção de categorias que negociam valores superiores a 2,5 mínimos: passaram de 9,5%, em 2005, para 4,5%, em 2007. A tendência de aproximação dos pisos salariais negociados ao salário mínimo é decorrência dos aumentos reais aplicados ao menor salário oficial do País, nos últimos anos.
Setor econômico
Estes reajustes acima da inflação resultam de campanha desenvolvida pelas centrais sindicais com o objetivo de se estabelecer uma política de correção para este piso. Entre 2005 e 2007, o aumento real do salário mínimo correspondeu a 19%, quando comparado com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar desta concentração de pisos mais perto do salário mínimo, as negociações de 2007 foram favoráveis aos trabalhadores e asseguraram aumentos reais de salário (leia mais), principalmente para o piso, que historicamente tem tratamento diferenciado nas negociações. Assim, embora os ganhos alcançados pelos pisos tenham sido inferiores aos obtidos pelo salário mínimo, esse resultado decorre mais da evolução do salário mínimo e menos da negociação dos pisos salariais.
Quando se considera o comportamento dos pisos segundo setor econômico, verifica-se que o pior resultado ocorreu no setor rural, onde aproximadamente 90% dos pisos acordados superaram o mínimo em no máximo 25%. No comércio, 85% das negociações conquistaram pisos de até 1,5 mínimos e 9%, obtiveram pisos superiores a 2 mínimos.
Formação universitária
Na indústria, quase 80% das convenções e acordos fixaram pisos de até 1,5 salário e mais da metade não superou 1,25. Nos serviços está o maior percentual de pisos que valem mais de 2 mínimos: 14%. Mas o maior piso foi localizado na indústria metalúrgica: 8,5 mínimos.
Os dados de 2007 mostram que os pisos salariais pagos a trabalhadores com formação universitária chegam a corresponder a 2,8 vezes o dos que não têm o mesmo nível de escolaridade. Do painel de 646 informações consideradas em 2007, 33% dos pisos negociados no último ano encontravam-se abaixo do salário mínimo de R$ 415, fixado a partir de 1º março de 2008.
Parte deles correspondia a categorias com data-base entre janeiro e março e que provavelmente já alteraram seus valores. Porém, cerca de 23% do painel são de meses posteriores e seus valores devem ser automaticamente reajustados para o valor do mínimo. (Fonte: CTB)
O Mundo em Duas Voltas vence o I Cine Fest Brasil Buenos Aires
O documentário em longa-metragem O Mundo em Duas Voltas, de David Schurmann, ganhou o troféu Lente de Cristal de melhor filme na opinião do público no I Cine Fest Brasil-Buenos Aires. O anúncio foi feito na noite de ontem, no Cine Recoleta Village, que desde o dia 8 exibiu 12 longas-metragens nacionais na mostra competitiva.
O Mundo em Duas Voltas traça um paralelo entre a primeira volta ao mundo, feita pelo navegador Fernão de Magalhães, que em 1519 liderou uma das mais fantásticas aventuras navais de todos os tempos e no final comprovou que a terra era redonda, e a viagem que a família Schurmann fez em 1997, seguindo a mesma rota de Magalhães.
O filme emocionou espectadores como o uruguaio residente em Buenos Aires, Gastán Gutiérrez, que desde os tempos de Glauber Rocha não assitia uma produção brasileira. "Fiquei com vontade de sair do cinema e rodar o mundo como eles. Tenho uma grande amiga brasileira, gosto muito do Brasil e fico feliz em poder assistir os novos filmes que vêm de lá", disse.
O I Cine Fest Brasil-Buenos Aires foi considerado um sucesso pelo público, pelos produtores locais e pela diretoria do Circuito Inffinito de Festivais, que realiza mostras de filmes brasileiros pelo mundo. "O Festival foi responsável por 20% da ocupação do Cine Village Recoleta, que conta com 16 salas de cinema. E neste fim de semana, superou a bilheteria de blockbusters como Meteoro e Speedy Racers", conta a coordenadora do complexo, Silvina Baum.
A diretora do Grupo Inffinito, Viviane Spinelli, já faz planos para a próxima edição. "Em 2009 vamos ampliar a estrutura do Festival promovendo debates entre diretores, produtores e estudantes brasileiros e argentinos. E além de preencher essa lacuna que existe na exibição de filmes brasileiros aqui, vamos fomentar negócios no mercado audiovisual latino-americano", adianta Viviane. Esta primeira edição já está rendendo frutos.
O coreano Song Hee, exportador de filmes da América Latina para cinema e TV na Coréia está de olho em Alucinados, do Roberto Santucci. "Esse festival chegou na hora certa. Há tempos tenho interesse em comprar filmes brasileiros, mas não tinha acesso a eles. Na Coréia há uma lei que garante cotas de exibição para filmes locais e latino-americanos. Hollywood não domina as salas de exibição coreanas", explica.
O filme Polaroides Urbanas, de Miguel Falabella, encerrou a programação do festival na noite de ontem, em exibição hors-concours, que contou com a presença da produtora Paula Barreto. "Participo deste circuito desde a primeira edição, em Miami, e fico muito feliz em ver como o cinema brasileiro é bem recebido em todos os lugares por onde passa". Fonte: Palavra Assessoria de Comunicação
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Devia ser proibido
devia ser proibido
uma saudade tão má
de uma pessoa tão boa
falar, gritar, reclamar
se a nossa voz não ecoa
dizer não vou mais voltar
sumir pelo mundo afora
alguém com tudo pra dar
tirar o seu corpo fora
devia ser proibido
estar do lado de cá
enquanto a lembrança voa
reviver, ter que lembrar
e calar por mais que doa
chorar, não mais respirar (ar)
dizer adeus, ir embora
você partir e ficar
pra outra vida, outra hora
devia ser proibido...
Música: Itamar Assumpção
Letra: Alice Ruiz
Quatro “erres” contra o consumismo
Leonardo Boff, teólogo
A fome é uma constante em todas as sociedades históricas. Hoje, entretanto, ela assume dimensões vergonhosas e simplesmente cruéis. Revela uma humanidade que perdeu a compaixão e a piedade. Erradicar a fome é um imperativo humanístico, ético, social e ambiental. Uma pré-condição mais imediata e possível de ser posta logo em prática é um novo padrão de consumo.
A sociedade dominante é notoriamente consumista. Dá centralidade ao consumo privado, sem auto-limite, como objetivo da própria sociedade e da vida das pessoas. Consome não apenas o necessário, o que é justificável, mas o supérfluo, o que questionavel. Esse consumismo só é possível porque as políticas econômicas que produzem os bens supérfluos são continuamente alimentadas, apoiadas e justificadas. Grande parte da produção se destina a gerar o que, na realidade, não precisamos para viver decentemente.
Como se trata do supérfluo, recorrem-se a mecanismos de propaganda, de marketing e de persuasão para induzir as pessoas a consumir e a fazê-las crer que o supérfluo é necessário e fonte secreta da felicidade.
O fundamental para este tipo de marketing é criar hábitos nos consumidores a tal ponto que se crie neles uma cultura consumista e a necessidade imperiosa de consumir. Mais e mais se suscitam necessidades artificiais e em função delas se monta a engrenagem da produção e da distribuição. As necessidades são ilimitadas, por estarem ancoradas no desejo que, por natureza, é ilimitado. Em razão disso, a produção tende a ser também ilimitada. Surge então uma sociedade, já denunciada por Marx, marcada por fetiches, albarrotada de bens supérfluos, pontilhada de shoppings, verdadeiros santuários do consumo, com altares cheios de ídolos milagreiros, mas ídolos, e, no termo, uma sociedade insatisfeita e vazia porque nada a sacia. Por isso, o consumo é crescente e nervoso, sem sabermos até quando a Terra finita aguentará essa exploração infinita de seus recursos.
Não causa espanto o fato de o Presidente Bush conclamar a população para consumir mais e mais e assim salvar a economia em crise, lógico, à custa da sustentabilidade do planeta e de seus ecossistemas. Contra isso, cabe recordar as palavras de Robert Kennedy, em 18 de março de 1968: ”Não encontraremos um ideal para a nação nem uma satisfação pessoal na mera acumulação e no mero consumo de bens materiais. O PIB não contempla a beleza de nossa poesia, nem a solidez dos valores familiares, não mede nossa argúcia, nem a nossa coragem, nem a nossa compaixão, nem a nossa devoção à pátria. Mede tudo menos aquilo que torna a vida verdadeiramente digna de ser vivida”. Três meses depois foi assassinado.
Para enfrentar o consumismo urge sermos conscientemente anti-cultura vigente. Há que se incorporar na vida cotidiana os quatro “erres” principais: reduzir os objetos de consumo, reutilizar os que já temos usado, reciclar os produtos dando-lhes outro fim e finalmente rejeitar o que é oferecido pelo marketing com fúria ou sutilmente para ser consumido.
Sem este espírito de rebeldia consequente contra todo tipo de manipulação do desejo e com a vontade de seguir outros caminhos ditados pela moderação, pela justa medida e pelo consumo responsável e solidário, corremos o risco de cairmos nas insídias do consumismo, aumentando o número de famintos e empobrecendo o planeta já devastado. Fonte: http://alainet.org/active/23961
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Cinema Latino-Americano no IELA
Já está na página do IELA a programação do Circuito de Cinema Latino-Americano e Caribenho, Ali Primera, que é promovido pelo IELA/UFSC todas às quintas feiras, às 18:30 minutos. Começa com uma sessão sobre a Colômbia e depois com líderes da América Latina. Dá um pulo lá e vê os filmes que estão programados. www.iela.ufsc.br
Confira alguns destaques da programação de cinema
Cineclube Nossa Senhora do Desterro - CIC
Angel Angel - 2007 - Bélgica/França/Reino Unido/ 134 min / Drama / Legendado. Direção: François Ozon - Elenco: Romola Garai, Sam Neill, Lucy Russell, Michael Fassbender.
A filha de um comerciante sonha em se tornar uma escritora famosa, para assim freqüentar a bela mansão de campo à frente da qual ela sempre passa, mas que nunca pôde entrar. A precoce Angel derrama todos seus desejos românticos numa prosa florida, que acaba por chamar a atenção de um conceituado editor de Londres. Rapidamente a fama se manifesta e Angel logo revela sua verdadeira natureza. Mesmo assim, seus livros tornam-se muito populares na sociedade inglesa do começo do século XX, um sucesso que transforma Angel numa antipática e arrogante mulher que ninguém ousa desafiar.
Quinta e sexta-feira (15 e 16) às 18h15
Ingresso:R$ 10,00 (inteira) - Preço diferenciado para estudantes com carteira da Une, Uces ou Ubes: Todos os dias: R$ 5,00 (meia)
Av. Irineu Bornhausen, 5600 - Centro Integrado de Cultura - CIC 3953-2301 ou 3247-5409
Av. Irineu Bornhausen, 5600 - Centro Integrado de Cultura - CIC 3953-2301 ou 3247-5409
Mostra de Cinema - SESC Estreito
As Bicicletas de Belleville - Les Triplettes de Belleville - 2003 - França / 82 min / Livre / Animação / DubladoDireção: Sylvain Chomet Elenco: Michèle Caucheteux, Jean-Claude Donda, Michael Robin e Monica Viegas.
O jovem Champion treina para se tornar um grande campeão de ciclismo, mas, durante uma competição, Champion é seqüestrado e sua avó e seu cachorro partem em busca do garoto.
Segunda-feira - 19 de Maio Local: Auditório da Biblioteca Municipal Professor Barreiros Filho - Rua João Evangelista da Costa, 1160 – Estreito.Horário: às 19h. Valor: gratuito. Informações: (48) 3271-7914.
Participe da nova enquete da página do Sindicato
Com 62, 07% dos votos, o assunto “Plano de Carreira” estará na pauta da Rádio SINTRAJUSC nesta sexta-feira, dia 16. Participe da nova enquete em www.sintrajusc.org.br:
Qual assunto deve estar na pauta da Rádio Sintrajusc no dia 23 de maio?
1-Encontro dos Agentes de Segurança
2-Qualificação dos servidores
3-Plano Diretor Participativo da Capital
Qual assunto deve estar na pauta da Rádio Sintrajusc no dia 23 de maio?
1-Encontro dos Agentes de Segurança
2-Qualificação dos servidores
3-Plano Diretor Participativo da Capital
Comitê Catarinense contra a Criminalização dos Movimentos Sociais retoma atividades
Na quarta-feira, dia 14 de maio, às 19h, na sede administrativa do Sintufsc, será realizada mais uma reunião do Comitê Catarinense contra a Criminalização dos Movimentos Sociais. Agora o movimento precisa ganhar força e traçar estratégias para os próximos enfrentamentos. Vale lembrar que ainda está tramitando o processo contra 18 estudantes e alguns trabalhadores técnico-administrativos da UFSC, por conta de um ato político realizado em uma sessão do Conselho Universitário em 2005. Ainda, 11 estudantes estão sendo acusados de crime por participarem da ocupação da reitoria da UFSC durante a greve dos técnicos em 2007.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Feijoada festiva para ajudar Anna Paula
Venha desfrutar de um dia festivo, apreciando uma deliciosa feijoada acompanhada de música ao vivo. Você estará contribuindo para o tratamento de recuperação dos movimentos da amiga Anna Paula Feminella. Valor: 20,00
Valor para maior contribuição A: 50,00
Valor para maior contribuição B: 100,00
Dia: 31 de maio de 2008
Local: Sede do Bloco Carnavalesco Baiacu, em Santo Antônio de Lisboa
Horário: a partir das 12h
Informações: Lúcia 9989-3244
Anna Paula Feminella tem 34 anos, é professora de Educação Física e atualmente é diretora do SINTRASEM (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal). Há quatro anos sofreu um acidente: a coluna de alvenaria que sustentava a rede (de descanso) em que se encontrava caiu sobre ela, provocando uma lesão medular que a deixou paraplégica. Mas o acidente não a estagnou, com ajuda de amigos e familiares voltou ao trabalho, à militância e segue em busca de todas as formas de tratamento. Recentemente descobriu, com amigos que foram a Cuba, um tratamento que prevê cirurgia de revascularização da medula - ou seja, possibilita o retorno da circulação sanguínea na região lesionada. Não há a garantia de melhoras, mas a possibilidade já é o suficiente para mobilizá-la e aos amigos e parentes na busca de recursos financeiros para custear o tratamento.Quem não puder vir na feijoada e quiser contribuir, pode fazer um depósito em uma conta específica da Campanha da Anna:Banco do Brasil – Agência 16-7 – Conta 48434-2
Valor para maior contribuição A: 50,00
Valor para maior contribuição B: 100,00
Dia: 31 de maio de 2008
Local: Sede do Bloco Carnavalesco Baiacu, em Santo Antônio de Lisboa
Horário: a partir das 12h
Informações: Lúcia 9989-3244
Anna Paula Feminella tem 34 anos, é professora de Educação Física e atualmente é diretora do SINTRASEM (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal). Há quatro anos sofreu um acidente: a coluna de alvenaria que sustentava a rede (de descanso) em que se encontrava caiu sobre ela, provocando uma lesão medular que a deixou paraplégica. Mas o acidente não a estagnou, com ajuda de amigos e familiares voltou ao trabalho, à militância e segue em busca de todas as formas de tratamento. Recentemente descobriu, com amigos que foram a Cuba, um tratamento que prevê cirurgia de revascularização da medula - ou seja, possibilita o retorno da circulação sanguínea na região lesionada. Não há a garantia de melhoras, mas a possibilidade já é o suficiente para mobilizá-la e aos amigos e parentes na busca de recursos financeiros para custear o tratamento.Quem não puder vir na feijoada e quiser contribuir, pode fazer um depósito em uma conta específica da Campanha da Anna:Banco do Brasil – Agência 16-7 – Conta 48434-2
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Por que a imprensa grande não noticia o que atinge a maioria da população?
A mídia geralmente tem preferência por divulgar notícias dramáticas, números sensacionais e “furos jornalísticos”. Os temas sociais são recorrentes, mas a abordagem não gira em torno de políticas públicas. É esse o diagnóstico feito pela jornalista Beatriz Barbosa em palestra sobre o desafio de aumentar a pauta de políticas públicas na grande imprensa, no último dia 5 de maio, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Ela ressaltou ainda que a política pública até pode ser uma pauta, mas não como um processo. Geralmente a cobertura é desqualificada de modo apenas a reafirmar políticas públicas ruins.
Um desvio de verba de determinado programa social geralmente é notícia, mas não são notícias, por exemplo, as conferências nacionais em diversas áreas como saúde e educação. Essas conferências, que só na área de saúde já foram realizadas mais de uma dezena, se configuram, de acordo com Beatriz, como uma etapa da política pública desconsiderada pelos grandes veículos de comunicação.
“A Conferência Nacional de Juventude recentemente reuniu dois mil jovens em Brasília, e nem uma linha foi escrita na grande imprensa sobre o assunto”, exemplifica.
A palestrante foi uma das convidadas da disciplina e curso de extensão de Jornalismo de Políticas Públicas Sociais, uma parceria entre o Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência (Netccon), da Escola de Comunicação da UFRJ, e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi).
Beatriz Barbosa é jornalista e especialista em direitos humanos, além de coordenadora do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, um dos principais movimentos que lutam no Brasil pela democratização da comunicação.
Origem elitista dos jornalistas é uma das raízes do problema
Para Beatriz, a pergunta “de onde vem o jornalista?” pode responder uma das origens da ausência de cobertura de políticas públicas na grande mídia. Grande parte dos que ingressam nos cursos de jornalismo são filhos de classe média ou alta, assim, “as grandes mazelas sociais não fazem parte do cotidiano desses futuros jornalistas”.
Outra origem da questão destacada pela jornalista é a formação do comunicador: mais técnica do que humanista e com foco no mercado. Essa formação também não possui, de acordo com ela, uma oferta de conhecimentos mínimos sobre o tema políticas públicas.
Em um segundo bloco de situações que podem causar essa ausência de cobertura, estão as condições de trabalho dos jornalistas. Segundo Beatriz, com as redações bastante enxutas, condições precárias de trabalho, a informação transformada em lucro e a falta de independência do jornalista na escolha da pauta, o resultado é um jornalismo que não aborda as questões que atingem a maioria da população.
Ainda uma terceira raiz do problema apontada por Beatriz é a concentração dos meios de comunicação. A jornalista lembra que apenas 9 famílias controlam 85% da informação no Brasil, apesar do artigo 220 da nossa Constituição proibir o monopólio.
“Só falta fabricarem as pessoas que vão assistir aos programas!”, brinca, sobre o fato de uma mesma empresa deter todo o processo de produção e distribuição da informação.
Soluções
Nas redações, uma formação continuada dos jornalistas, a investigação de dados e informações públicas, a cobertura do processo das políticas públicas, podem, de acordo com a palestrante, serem passos na solução do problema. Além disso, a prática de ouvir os beneficiários dessas políticas e de estabelecer canais de comunicação entre a população e a imprensa, como ouvidorias e a própria figura do ombusdman, seriam iniciativas importantes.
Na universidade, a criação de disciplinas obrigatórias específicas sobre as políticas públicas e projetos de extensão, também atuariam nesse sentido.
Essas iniciativas, para Beatriz, devem ser somadas a outras com foco específico na sociedade em geral, como a criação de disciplinas nas escolas sobre leitura crítica da mídia e a própria formação do cidadão sobre o papel da Estado e da Sociedade. Nesse sentido, o direito à comunicação deve ser entendido como um direito tão importante quanto qualquer outro.
“Mas enquanto não entendermos que a notícia deve ser de interesse público e entendermos o ser humano como sujeito da história, não mudaremos esse diagnóstico”, afirmou Beatriz Barbosa. A jornalista mencionou ainda que quando se trata de políticas públicas de comunicação, aí é que o tema não aparece de maneira nenhuma na grande imprensa. (Fonte: Núcleo Piratininga de Comunicação)
Ela ressaltou ainda que a política pública até pode ser uma pauta, mas não como um processo. Geralmente a cobertura é desqualificada de modo apenas a reafirmar políticas públicas ruins.
Um desvio de verba de determinado programa social geralmente é notícia, mas não são notícias, por exemplo, as conferências nacionais em diversas áreas como saúde e educação. Essas conferências, que só na área de saúde já foram realizadas mais de uma dezena, se configuram, de acordo com Beatriz, como uma etapa da política pública desconsiderada pelos grandes veículos de comunicação.
“A Conferência Nacional de Juventude recentemente reuniu dois mil jovens em Brasília, e nem uma linha foi escrita na grande imprensa sobre o assunto”, exemplifica.
A palestrante foi uma das convidadas da disciplina e curso de extensão de Jornalismo de Políticas Públicas Sociais, uma parceria entre o Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência (Netccon), da Escola de Comunicação da UFRJ, e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi).
Beatriz Barbosa é jornalista e especialista em direitos humanos, além de coordenadora do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, um dos principais movimentos que lutam no Brasil pela democratização da comunicação.
Origem elitista dos jornalistas é uma das raízes do problema
Para Beatriz, a pergunta “de onde vem o jornalista?” pode responder uma das origens da ausência de cobertura de políticas públicas na grande mídia. Grande parte dos que ingressam nos cursos de jornalismo são filhos de classe média ou alta, assim, “as grandes mazelas sociais não fazem parte do cotidiano desses futuros jornalistas”.
Outra origem da questão destacada pela jornalista é a formação do comunicador: mais técnica do que humanista e com foco no mercado. Essa formação também não possui, de acordo com ela, uma oferta de conhecimentos mínimos sobre o tema políticas públicas.
Em um segundo bloco de situações que podem causar essa ausência de cobertura, estão as condições de trabalho dos jornalistas. Segundo Beatriz, com as redações bastante enxutas, condições precárias de trabalho, a informação transformada em lucro e a falta de independência do jornalista na escolha da pauta, o resultado é um jornalismo que não aborda as questões que atingem a maioria da população.
Ainda uma terceira raiz do problema apontada por Beatriz é a concentração dos meios de comunicação. A jornalista lembra que apenas 9 famílias controlam 85% da informação no Brasil, apesar do artigo 220 da nossa Constituição proibir o monopólio.
“Só falta fabricarem as pessoas que vão assistir aos programas!”, brinca, sobre o fato de uma mesma empresa deter todo o processo de produção e distribuição da informação.
Soluções
Nas redações, uma formação continuada dos jornalistas, a investigação de dados e informações públicas, a cobertura do processo das políticas públicas, podem, de acordo com a palestrante, serem passos na solução do problema. Além disso, a prática de ouvir os beneficiários dessas políticas e de estabelecer canais de comunicação entre a população e a imprensa, como ouvidorias e a própria figura do ombusdman, seriam iniciativas importantes.
Na universidade, a criação de disciplinas obrigatórias específicas sobre as políticas públicas e projetos de extensão, também atuariam nesse sentido.
Essas iniciativas, para Beatriz, devem ser somadas a outras com foco específico na sociedade em geral, como a criação de disciplinas nas escolas sobre leitura crítica da mídia e a própria formação do cidadão sobre o papel da Estado e da Sociedade. Nesse sentido, o direito à comunicação deve ser entendido como um direito tão importante quanto qualquer outro.
“Mas enquanto não entendermos que a notícia deve ser de interesse público e entendermos o ser humano como sujeito da história, não mudaremos esse diagnóstico”, afirmou Beatriz Barbosa. A jornalista mencionou ainda que quando se trata de políticas públicas de comunicação, aí é que o tema não aparece de maneira nenhuma na grande imprensa. (Fonte: Núcleo Piratininga de Comunicação)
domingo, 11 de maio de 2008
Encontrei o Odimar
Por Elaine Tavares, jornalista
Foi num destes dias em que tudo o que tem para dar errado, dá. Saí de casa meio dormindo, por conta do cansaço de dias de trabalho duro. Acenei para o ônibus e lá fui, balançando, em pé, pois, como é comum em Florianópolis, os coletivos estão sempre lotados. Tudo por conta da ganância dos empresários que diminuem horários para ter mais lucro. Quem sofre é a ralé. A minha bolsa, enorme, ia colada nas costas, arqueando o corpo fraquinho. Numa dos braços levava uma caixa com uma filmadora, com a qual precisava registrar uma conferência. No outro braço carregava uns sete livros, que devolveria na biblioteca. Como sou baixinha, meu braço não alcança o ferro do ônibus e preciso me agarrar nas beiradas dos bancos. Nenhuma alma das que estavam sentadas se dispôs a uma gentileza urbana, que consiste em carregar as coisas dos que vão em pé. Assim que eu me equilibrava com todo aquele peso. Até aí sem novidade.
O problema é que o busu não ia para a universidade, eu havia pegado o carro errado. Saltei e caminhei umas cinco quadras até encontrar uma parada na qual passasse um que para a UFSC fosse. Entrei, esbaforida, pois já estava atrasada. Passei o cartão e, pasmem, não tinha mais crédito. Fui pegar dinheiro na bolsa, depois de toda uma novela com os livros e a filmadora e, adivinhem: não tinha dinheiro. Maior mico. Todo mundo no ônibus me olhando com aquela cara de paisagem, ou seja, estavam vendo, mas fingiam que não. Umas crianças, mais verdadeiras, riam. Pedi desculpas ao cobrador, que também não se prestou a gentileza de me deixar ir sem pagar, e saltei. Tive de andar desde o centro comercial Iguatemi até a UFSC com todo o peso. Soltava faíscas.
Passado o mico fui resolver a entrega do meu imposto de renda. Toda uma profusão de erros e complicações no programa. Arrisquei ligar para Receita Federal para ver se conseguia ajuda. Meio descrente, pois há o mito de que o povo atende mal no serviço público. Já ensaiava umas lágrimas, pois nada parecia dar certo. A telefonista atendeu e me deixou pendurada. Minutos eternos... E aquela musiquinha. Não agüentei, comecei a chorar. Então atendeu ao telefone o Odimar. Com a maior paciência do mundo foi ouvindo meu desespero e desmontando minha crise. Sem se preocupar com o tempo, desenredou meus nós. Tinha a voz tranqüila e um riso sereno. Então, como por encanto, tudo se acertou. E foi assim que, num dia de terrores urbanos, de transporte desintegrado, de “mala suerte”, de lei de Murphy, eu encontrei o Odimar. Um servidor público, um trabalhador, que amparou minha angústia, que me fez sorrir, que resolveu minhas dúvidas.
E toda essa odisséia foi para dizer que o serviço público é tudo o que temos. E que os trabalhadores públicos ali fazem sua parte, muitas vezes sem incentivo, sem condições. Vez ou outra são amargos, tristes, mal-educados. Mas outros há que não, e nos salvam, quando tudo o que queremos é alguém que nos diga: “Calma, vai dar tudo certo”. Assim fez o Odimar. E tudo deu certo. Valeu compa!!!
Poesia: primeira manhã do mundo
"A ética humana deve ser mais profunda --- cuidar das crianças, escutar música, não deixar que a poesia seque. Em nome de não sei o quê, sempre deixam a poesia de lado, logo a poesia que é dádiva perene dos anjos. Poesia: primeira manhã do mundo."
Frase do jornalista e poeta Fernando Karl
Seminário Sindical do Sintufsc discute as reformas neoliberais e a organização dos trabalhadores
No dia 15 de maio será realizado o Seminário Sindical do Sintufsc “As Reformas Neoliberais e a Organização dos Trabalhadores”, no auditório do CSE – Centro Sócio-Econômico da UFSC, das 8h30min às 18h. As inscrições prévias podem ser feitas na secretária do Sintufsc. Todos que participarem integralmente receberão certificado com carga horária de 8 horas.
Programação:
Mesa 1 - 8h30min – “Organização dos Trabalhadores”
Debatedores: Doroti Martins – professora do CFH e diretora da Apufsc
José Votório Zago – professor da Unicamp/Adunicamp
Mesa 2 – 14h – “Reformas Neoliberais”
Debatedores: Paulo Tumolo – professor do CED/UFSC
Sara Granemann – professora da UFRJ
RÁDIO SINTRAJUSC já disponibiliza arquivos de notícias e entrevistas em MP3
O SINTRAJUSC disponibiliza, desde sexta-feira, 9 de maio, programas pré-gravados com notícias e entrevistas. Os arquivos irão mudar sempre às sextas. Um dos coordenadores do Sindicato, Robak Barros, fará um boletim semanal sobre as atividades do Sindicato. A RÁDIO SINTRAJUSC tem ainda notícias e entrevistas sobre temas de interesses dos servidores. Acompanhe em http://www.sintrajusc.org.br/, no link Rádio SINTRAJUSC.
Tudo na UFSC!
Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-Juvenil
De 12 a 16/5, semana de reflexões promovida pelo Núcleo Vida e Cuidado: Estudos e Pesquisas Sobre Violências, vinculado ao Centro de Educação da UFSC
Palestra com Charles Cesconetto na segunda-feira
O cineasta e diretor fotográfico, coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Multimidia Digital da Unisul, palestra na UFSC às 15h, no auditório do CCE
Mostra de curtas franceses
Na terça-feira, 13/5, às 19h, no miniauditório do CCE. Promoção do Departamento de Cinema
Seminário: A Psicologia e a Luta Antimanicomial
Dia 16/05, às 18h30, no auditório do Centro de Convivência. Mais informações com Bárbara - 8809 8952. Fonte: Agecom
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Depressão na pauta
O tema depressão, com 56% dos votos na enquete do Blog do SINTRAJUSC - http://sintrajusc.blogspot.com – estará na pauta da edição de junho do jornal O Grito. A edição de maio, entre outros assuntos, tratará de acidentes e doenças de trabalho.
Sessão Especial discute questão palestina
No dia 15 de maio, a partir das 19 horas, haverá Sessão Especial a respeito da questão Palestina na Câmara Municipal de São José. Os debatedores são Fawzi El Mashni, ex-embaixador da Autoridade Palestina no México, e Youssef Ahmad Youssef, professor da UNISUL. A Câmara Municipal de São José fica na Praça Arnoldo de Souza, 38, Centro Histórico de São José.
Fim do fator só será discutido depois da reforma tributária
Partidos de esquerda procuram um jeito de pautar a matéria, não sem antes viabilizar meios de aprová-la sem causar danos ao caixa da Previdência. Se depender do Governo, o projeto só será discutido depois de aprovada a reforma tributária
A orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não inibe petistas de estimular dentro do partido e na Câmara a discussão sobre o fim do fator previdenciário, instrumento utilizado para reduzir o valor do benefício de quem opta por se aposentar por tempo de contribuição. A proposta foi aprovada no Senado por iniciativa do senador Paulo Paim (PT/RS) e desagradou ao Governo.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), disse que o fator previdenciário não é prioridade para a pauta de votação. E o líder do Governo, deputado Henrique Fontana (PT/RS), disse que a proposta não deve ser discutida antes da reforma tributária. Para petistas, a questão do fim do fator passa apenas por uma saída para o problema que causaria aos caixas da Previdência.
“Esse é um tema que deve ser discutido. Precisamos fazer uma reflexão interna. Apesar de sabermos das dificuldades orçamentárias, temos que nos aprofundar nisso”, disse o deputado e secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo (SP). No mês passado, o presidente Lula criticou Paim por ter trabalhado para aprovar a proposta que causaria aumento desnecessário do déficit da Previdência.
Veto
O Governo estima que o fator promova uma economia de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões aos caixas da Previdência. Em 2007, ele gerou uma economia de R$ 3,4 bilhões. “Se aprovarmos o fim do fator previdenciário hoje, o presidente Lula veta. Por isso temos que discutir direito, fazer as contas e apresentar uma proposta que acabe [com o fator] e não onere a Previdência”, disse o deputado petista Carlito Merss, de Santa Catarina.
Entenda o fator
O fator previdenciário foi criado em 1999 pelo Governo FHC com objetivo de equiparar a contribuição com o valor do benefício. Prevê que a aposentadoria do trabalhador seja equivalente à média dos últimos cinco anos de contribuição, levando em conta quatro fatores: alíquota de contribuição, idade, tempo de contribuição à Previdência Social e expectativa de vida no momento do pedido da aposentadoria. Ou seja, quanto menor a idade maior a redução da aposentadoria. O instrumento é uma maneira de forçar o trabalhador a adiar o pedido de pensão e aumentar os anos de contribuição, mesmo que já tenha cumprido os 30 anos, mulheres, ou 35 anos, homens.
Outro fator de redução do benefício é a expectativa de vida calculada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quanto maior a perspectiva de vida do aposentado menor será o valor da pensão no momento do pedido. O fator previdenciário é obrigatório para pedidos por tempo de contribuição e opcional para a aposentadoria por idade — 55 anos, para mulheres, e 60 anos, para homens.
O cálculo não é aplicado em aposentadorias especiais ou por invalidez, auxílio-acidente, salário-maternidade e auxílio-reclusão. O senador Paulo Paim (PT/RS), defensor do fim do fator, afirma que esse cálculo reduz em até 40% a pensão e os benefícios dos aposentados da iniciativa privada. (Fonte: Com CB)
A orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não inibe petistas de estimular dentro do partido e na Câmara a discussão sobre o fim do fator previdenciário, instrumento utilizado para reduzir o valor do benefício de quem opta por se aposentar por tempo de contribuição. A proposta foi aprovada no Senado por iniciativa do senador Paulo Paim (PT/RS) e desagradou ao Governo.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), disse que o fator previdenciário não é prioridade para a pauta de votação. E o líder do Governo, deputado Henrique Fontana (PT/RS), disse que a proposta não deve ser discutida antes da reforma tributária. Para petistas, a questão do fim do fator passa apenas por uma saída para o problema que causaria aos caixas da Previdência.
“Esse é um tema que deve ser discutido. Precisamos fazer uma reflexão interna. Apesar de sabermos das dificuldades orçamentárias, temos que nos aprofundar nisso”, disse o deputado e secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo (SP). No mês passado, o presidente Lula criticou Paim por ter trabalhado para aprovar a proposta que causaria aumento desnecessário do déficit da Previdência.
Veto
O Governo estima que o fator promova uma economia de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões aos caixas da Previdência. Em 2007, ele gerou uma economia de R$ 3,4 bilhões. “Se aprovarmos o fim do fator previdenciário hoje, o presidente Lula veta. Por isso temos que discutir direito, fazer as contas e apresentar uma proposta que acabe [com o fator] e não onere a Previdência”, disse o deputado petista Carlito Merss, de Santa Catarina.
Entenda o fator
O fator previdenciário foi criado em 1999 pelo Governo FHC com objetivo de equiparar a contribuição com o valor do benefício. Prevê que a aposentadoria do trabalhador seja equivalente à média dos últimos cinco anos de contribuição, levando em conta quatro fatores: alíquota de contribuição, idade, tempo de contribuição à Previdência Social e expectativa de vida no momento do pedido da aposentadoria. Ou seja, quanto menor a idade maior a redução da aposentadoria. O instrumento é uma maneira de forçar o trabalhador a adiar o pedido de pensão e aumentar os anos de contribuição, mesmo que já tenha cumprido os 30 anos, mulheres, ou 35 anos, homens.
Outro fator de redução do benefício é a expectativa de vida calculada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quanto maior a perspectiva de vida do aposentado menor será o valor da pensão no momento do pedido. O fator previdenciário é obrigatório para pedidos por tempo de contribuição e opcional para a aposentadoria por idade — 55 anos, para mulheres, e 60 anos, para homens.
O cálculo não é aplicado em aposentadorias especiais ou por invalidez, auxílio-acidente, salário-maternidade e auxílio-reclusão. O senador Paulo Paim (PT/RS), defensor do fim do fator, afirma que esse cálculo reduz em até 40% a pensão e os benefícios dos aposentados da iniciativa privada. (Fonte: Com CB)
Rádio Fenajufe: Coordenador da Fenajufe fala sobre plano de carreira
Com o objetivo de dar continuidade à série de entrevistas sobre plano de carreira, a Rádio Fenajufe transmite logo mais às 12h, no boletim Fenajufe Notícias, entrevista com José Moraes Júnior, coordenador de comunicação da Fenajufe. Moraes foi um dos palestrantes do 1º Encontro Nacional sobre Plano de Carreira, realizado no dia 28 de março, em Recife, ao lado dos coordenadores da Fenajufe Roberto Policarpo e Ramiro López e também do coordenador do Sintrajud/SP Démerson Dias.
A entrevista com Moraes Júnior será reprisada no boletim Fenajufe Notícias das 16h desta sexta-feira e nos boletins da próxima semana. Acesse a Rádio Fenajufe, no endereço www.fenajufe.org.br, e clique no link localizado no lado direito da página. Fonte: Fenajufe
Peça Seu Sub estará em cartaz dias 9, 10 e 11 de maio no Teatro da Ubro
A Companhia Espalhafato de Teatro, sob a direção de Laureano Teixeira, estará no Teatro da Ubro (escadaria da rua Pedro Soares, nº 15, centro, Capital) com o espetáculo Seu Sub, um texto irreverente que trata da especulação imobiliária no Norte da Ilha de Santa Catarina. Os espetáculos ocorrerão dias 9, 10 e 11 de maio, sempre às 20h30min.
A peça é ambientada nos anos 1970 - período em que o Brasil estava sob o comando dos militares quando imperava a censura e a tortura - e mostra o resultado de uma comunidade de Florianópolis que vai se construindo de forma desordenada baseada na especulação imobiliária, no tráfico de influência, na tirania e nenhuma preocupação com meio ambiente.
Para manter a "ordem" na região, Seu Sub, autoridade local recebe a incumbência de reprimir as resistências políticas, reduzir os conflitos entre os moradores e os empreendedores e preparar o terreno para a implantação e o sucesso de seus projetos.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Uma vida absurda, aceita como natural
Cada novo aumento da produção automobilística é comemorado pela mídia. Compram-se automóveis em 99 prestações. Entupidas, as cidades param. Estaremos, como diz Paulo Mendes da Rocha, nos dedicando a aprimorar a máquina de produzir veneno que inventamos?Veja artigo completo em http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337
Todas as mulheres do mundo
Como a condição feminina mudou ao longo da história. De primeira dama do paraíso, virgem santíssima e carolas a Madonas, Leilas Diniz e mulheres-maravilha — muitas vezes à beira de um ataque de nervos. Preconceitos, assédios, triplas jornadas de trabalho: a mulher do século 21.
Veja artigo completo em http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2305
Diretor da Fenajufe fala de assédio moral e Lei Maria da Penha em Salvador
Como parte das comemorações do Dia Internacional do Trabalhador o Sindjufe/BA realizou na segunda-feira [05] um debate sobre assédio moral com os servidores da Justiça Federal, em Salvador. O evento, que aconteceu no auditório da JF, a partir das 13h, também comemorou os seis anos do Sindjufe/BA como sindicato unificado de todos os ramos do Judiciário Federal na Bahia. Participaram do debate o coordenador da Fenajufe Rogério Fagundes; os coordenadores gerais do Sindjufe/BA Elisa Fortes e Gilvan Néri; a presidente da Associação dos Servidores da Justiça Federal da Bahia, Denise Carneiro; e o Procurador do Trabalho na Bahia Manoel Jorge. Rogério falou da iniciativa da Fenajufe em lançar, em dezembro do ano passado, a cartilha Venha para a luta contra o assédio moral.
De acordo com ele, a Federação já havia recebido essa demanda da categoria ao constatar, a partir de informações de sindicatos e também de servidores, que o assédio moral é uma prática que está se tornando cada vez mais comum nos locais de trabalho do Judiciário Federal e Ministério Público da União. Rogério informou, também, que em maio do ano passado o Sindjufe/BA havia realizado uma pesquisa em todo o Judiciário Federal na Bahia, que constatou que na Justiça Federal cerca 38% dos servidores afirmaram ter sofrido algum tipo de assédio moral ou conhecer alguém que já tenha passado por problemas dessa natureza. O índice na JF foi o maior, de acordo com os dados da pesquisa, uma vez que na Justiça do Trabalho aproximadamente 19% dos servidores disseram já ter passado por situações de humilhação e na Justiça Eleitoral, o índice ficou em torno de 11%.
Na avaliação de Rogério, “na Justiça Federal alguns juízes consideram as Varas verdadeiros feudos, o que, infelizmente, propicia uma maior ocorrência do assédio moral”.
Diálogo com estudantes sobre violência contra a mulher
Logo após o debate com os servidores da Justiça Federal, o coordenador da Fenajufe Rogério Fagundes participou de um seminário sobre a Lei Maria da Penha no Centro de Ensino Federal e Tecnológico da Bahia [Cefet/BA]. Além do coordenador da Fenajufe, também participaram do debate a deputada federal Alice Portugal [PCdoB/BA] e o diretor do Cefet/BA, professor Reinaldo Rosa. A platéia foi composta por estudantes, professores e funcionários da escola. Durante o seminário, os palestrantes avaliaram que Lei Maria da Penha, sancionada pelo presidente da República em agosto de 2006, representa uma grande vitória na luta pelo fim da violência contra a mulher, uma vez que triplica a pena para agressões domésticas contra a mulher e aumenta os mecanismos de proteção às vítimas.
Além de alterar o Código Penal e permitir que agressores sejam presos em flagrante ou tenham a prisão preventiva decretada, a Lei Penha também acaba com as penas pecuniárias, traz diversas medidas para proteger a mulher agredida, ou com risco de morte e prevê a criação de um juizado especial de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. Os palestrantes também ressaltaram que a Lei determina ainda a inclusão do assunto em todos os níveis de ensino, no sentido da conscientização sobre o problema e a divulgação da mesma. Da Fenajufe – Leonor Costa
Absolvição de fazendeiro é "incitação ao crime", afirma CPT
A Justiça paraense absolveu na terça-feira (6) o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bira, acusado de ser mandante do assassinato da missionária estadunidense Dorothy Stang. A decisão foi tomada pelo júri, por cinco votos a dois.
A absolvição provocou indignação. "Estou muito desapontado, mas respeito o Estado brasileiro e a opinião [do júri]", afirmou David Stang, irmão de Dorothy, que veio dos EUA. Para o advogado da CPT, José Batista Afonso, a decisão representa "uma incitação ao crime". Segundo ele, existiam provas para a condenação do mandante.
O advogado afirma que "nenhum novo fato foi acrescentado desde o primeiro julgamento” realizado em 2007. Na ocasião, o fazendeiro foi condenado a 30 anos de prisão. Bira estava no cárcere desde março de 2005 e só teve direito a um novo julgamento porque a pena do primeiro excedia 20 anos.
A reviravolta foi no caso provocada pela mudança no depoimento do pistoleiro Rayfran das Neves, acusado de executor do assassinato. Em princípio, ele argumentara que tinha matado Dorothy a mando de Bira que havia lhe entregue a arma usada no crime. Mas, na terça-feira (6), Rayfran mudou seu depoimento e assumiu individualmente a autoria do homicídio, afirmando que não houve mandante.
Para a acusação, esse depoimento foi essencial para a reviravolta do caso. O promotor Edson de Souza recorrerá da decisão. Em sua fala final, o promotor disse que a missionária, "que foi tão perseguida em vida", estava "sendo insultada depois de morta". O promotor sustentou contra Moura e Sales a acusação do homicídio qualificado, com uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Afirmou que o crime foi praticado mediante promessa de pagamento. E denunciou da tribuna que sua família está recebendo ameaças para que desista do processo. "Essas ameaças, feitas por telefonemas anônimos, estão ocorrendo há cerca de um ano", disse Souza.
Em 2005, logo após ser preso, o próprio Rayfran havia denunciado à Polícia Federal que o fazendeiro Bira lhe ofereceu R$ 10 mil para assumir a autoria do crime e inocentar Amair Feijoli da Cunha, suposto intermediário do fazendeiro Bira.
Um dos argumentos usados pela defesa, no novo julgamento, era o de que o réu estava sendo perseguido por causa da pressão da mídia, do governo e de ONGs internacionais. O advogado Eduardo Imbiriba chegou a acusar Dorothy de incitar a violência na região de Anapu, onde a missionária foi assassinada.
A morte de sua irmã teve repercussão internacional e se tornou um marco do conflito agrário brasileiro. Dorothy, defensora dos direitos humanos e que trabalhava em área de conflitos fundiários, foi morta a tiros em Anapu, a 300 quilômetros da capital paraense, em 12 de fevereiro de 2005. A missionária americana com os movimentos sociais no Pará havia cerca de 40 anos.
Mais ameaças de morte
Trezentas pessoas que vivem no interior do estado do Pará estão sendo ameaçadas de morte, por terem denunciado casos de tráfico de seres humanos, exploração sexual de crianças e adolescentes e pedofilia.
O número foi apresentado pelo bispo da Diocese da Ilha de Marajó (PA), dom José Luiz Azcona, em reunião extraordinária do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Ele é um dos quatro religiosos ameaçados de morte no estado.
Azcona afirmou que o governo do Pará, apesar de ter conhecimento do número, ainda não tomou providências para reduzir os casos. “Não me preocupa tanto a minha segurança pessoal. Se existem 300 homens e mulheres marcados para morrer, isso indica uma sociedade doente, pobre e moribunda”, criticou.
Segundo o bispo, apenas 100 dos ameaçados de morte estão sob proteção do governo federal. “Tem que ter uma mudança de mentalidade, uma conversão. [É preciso] Olhar para a Amazônia como a Amazônia é, não com os olhos de Brasília.” O bispo disse ainda que há conivência de autoridades locais em casos de “prostituição, tráfico e consumo de drogas e uso de bebidas alcoólicas entre os jovens”. (Com informações da Agência Brasil)
A absolvição provocou indignação. "Estou muito desapontado, mas respeito o Estado brasileiro e a opinião [do júri]", afirmou David Stang, irmão de Dorothy, que veio dos EUA. Para o advogado da CPT, José Batista Afonso, a decisão representa "uma incitação ao crime". Segundo ele, existiam provas para a condenação do mandante.
O advogado afirma que "nenhum novo fato foi acrescentado desde o primeiro julgamento” realizado em 2007. Na ocasião, o fazendeiro foi condenado a 30 anos de prisão. Bira estava no cárcere desde março de 2005 e só teve direito a um novo julgamento porque a pena do primeiro excedia 20 anos.
A reviravolta foi no caso provocada pela mudança no depoimento do pistoleiro Rayfran das Neves, acusado de executor do assassinato. Em princípio, ele argumentara que tinha matado Dorothy a mando de Bira que havia lhe entregue a arma usada no crime. Mas, na terça-feira (6), Rayfran mudou seu depoimento e assumiu individualmente a autoria do homicídio, afirmando que não houve mandante.
Para a acusação, esse depoimento foi essencial para a reviravolta do caso. O promotor Edson de Souza recorrerá da decisão. Em sua fala final, o promotor disse que a missionária, "que foi tão perseguida em vida", estava "sendo insultada depois de morta". O promotor sustentou contra Moura e Sales a acusação do homicídio qualificado, com uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Afirmou que o crime foi praticado mediante promessa de pagamento. E denunciou da tribuna que sua família está recebendo ameaças para que desista do processo. "Essas ameaças, feitas por telefonemas anônimos, estão ocorrendo há cerca de um ano", disse Souza.
Em 2005, logo após ser preso, o próprio Rayfran havia denunciado à Polícia Federal que o fazendeiro Bira lhe ofereceu R$ 10 mil para assumir a autoria do crime e inocentar Amair Feijoli da Cunha, suposto intermediário do fazendeiro Bira.
Um dos argumentos usados pela defesa, no novo julgamento, era o de que o réu estava sendo perseguido por causa da pressão da mídia, do governo e de ONGs internacionais. O advogado Eduardo Imbiriba chegou a acusar Dorothy de incitar a violência na região de Anapu, onde a missionária foi assassinada.
A morte de sua irmã teve repercussão internacional e se tornou um marco do conflito agrário brasileiro. Dorothy, defensora dos direitos humanos e que trabalhava em área de conflitos fundiários, foi morta a tiros em Anapu, a 300 quilômetros da capital paraense, em 12 de fevereiro de 2005. A missionária americana com os movimentos sociais no Pará havia cerca de 40 anos.
Mais ameaças de morte
Trezentas pessoas que vivem no interior do estado do Pará estão sendo ameaçadas de morte, por terem denunciado casos de tráfico de seres humanos, exploração sexual de crianças e adolescentes e pedofilia.
O número foi apresentado pelo bispo da Diocese da Ilha de Marajó (PA), dom José Luiz Azcona, em reunião extraordinária do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Ele é um dos quatro religiosos ameaçados de morte no estado.
Azcona afirmou que o governo do Pará, apesar de ter conhecimento do número, ainda não tomou providências para reduzir os casos. “Não me preocupa tanto a minha segurança pessoal. Se existem 300 homens e mulheres marcados para morrer, isso indica uma sociedade doente, pobre e moribunda”, criticou.
Segundo o bispo, apenas 100 dos ameaçados de morte estão sob proteção do governo federal. “Tem que ter uma mudança de mentalidade, uma conversão. [É preciso] Olhar para a Amazônia como a Amazônia é, não com os olhos de Brasília.” O bispo disse ainda que há conivência de autoridades locais em casos de “prostituição, tráfico e consumo de drogas e uso de bebidas alcoólicas entre os jovens”. (Com informações da Agência Brasil)
Pressionado pela Rede Globo, governo Lula suprime um fuso horário
O Brasil passará a ter três fusos horários, e não quatro, como hoje. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que adianta em uma hora os relógios do Acre e de parte do Amazonas e do Pará. O motivo, no entanto, não diz respeito a uma necessidade de Estado ou a uma reivindicação da população local, mas sim aos interesses econômicos da Rede Globo. A mudança tampouco foi precedida de um debate com os principais interessados.
No dia 20 de abril, entrou em vigor portaria determinando que as emissoras de televisão adaptem sua programação aos fusos horários vigentes no país. Apenas quatro dias depois, o presidente Lula aprovou a lei. O senador acreano Tião Viana (PT), autor do projeto que originou a lei 11.662/08, argumenta que a medida pretende “facilitar o transporte aéreo, as comunicações e a integração com o sistema financeiro nacional”. Porém, de acordo com Diogo Moysés, do coletivo Intervozes de Comunicação, a diminuição do número de fusos no Brasil está intimamente ligada a uma pressão exercida pelas Organizações Globo.
Pela portaria 1.220/07 – aprovada no começo de 2007, mas que teve sua aplicação adiada por diversas vezes –, as TVs precisam alterar suas transmissões devido à classificação indicativa dos programas de acordo com as diferentes faixas etárias. Para entender. Com duas horas a menos em relação a Brasília, a novela das “oito” da Globo passa às 19 horas no Acre. Porém, nesse horário, muitas pessoas com menos de 14 anos (que é a classificação indicativa do programa) estão predispostas a assistir a trama.
Se a Globo se predispusesse a obedecer as normas da portaria, teria, no mínimo, duas possibilidades, segundo Diogo Moysés. Uma delas seria adequar a novela das “oito" às crianças de 10 anos. A outra seria readequar as grades da região Norte. “Mas eles (Globo) se recusam a fazer isso”, garante.
Sobre o protagonismo da Globo, Moysés é categórico: “o motor da pressão foi exclusivamente dela; as outras emissoras já tinham se comprometido a adequar sua programação à classificação indicativa”. Segundo o membro do Intervozes, essas redes não teriam que fazer grandes mudanças na grade, simplesmente precisariam deixar a grade um pouco mais light em determinados horários.
Futebol sagrado
Nas últimas semanas, a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) encomendou ao Ibope uma pesquisa, pois queria comprovar que os cidadãos dos Estados afetados pela lei 11.620/08 seriam contra a adequação da programação ao fuso horário. A iniciativa falhou quase que totalmente: a maior parte dos entrevistados apoiou o respeito à classificação indicativa.
A única reação negativa da população se deu em virtude do “cumprimento das regras” mencionadas pela pesquisa, às quais impediriam a transmissão a vivo dos jogos de futebol. Segundo o Intervozes, a pergunta foi colocada de forma descontextualizada, pois, jornalismo e eventos ao vivo podem ser transmitidos em qualquer horário. Assim, o fato de a Globo atrasar a exibição dos jogos nessas regiões nas quartas-feiras foi uma opção da emissora.
“Foi uma chantagem explícita. Ela simplesmente adiou toda a programação, fazendo com que o jogo não fosse mais transmitido ao vivo”, afirma Moysés, que atesta ser a novela, que antecede o jogo, o real problema. “É óbvio que ninguém quer ver VT de jogo”, pondera. Fonte: Brasil de Fato
No dia 20 de abril, entrou em vigor portaria determinando que as emissoras de televisão adaptem sua programação aos fusos horários vigentes no país. Apenas quatro dias depois, o presidente Lula aprovou a lei. O senador acreano Tião Viana (PT), autor do projeto que originou a lei 11.662/08, argumenta que a medida pretende “facilitar o transporte aéreo, as comunicações e a integração com o sistema financeiro nacional”. Porém, de acordo com Diogo Moysés, do coletivo Intervozes de Comunicação, a diminuição do número de fusos no Brasil está intimamente ligada a uma pressão exercida pelas Organizações Globo.
Pela portaria 1.220/07 – aprovada no começo de 2007, mas que teve sua aplicação adiada por diversas vezes –, as TVs precisam alterar suas transmissões devido à classificação indicativa dos programas de acordo com as diferentes faixas etárias. Para entender. Com duas horas a menos em relação a Brasília, a novela das “oito” da Globo passa às 19 horas no Acre. Porém, nesse horário, muitas pessoas com menos de 14 anos (que é a classificação indicativa do programa) estão predispostas a assistir a trama.
Se a Globo se predispusesse a obedecer as normas da portaria, teria, no mínimo, duas possibilidades, segundo Diogo Moysés. Uma delas seria adequar a novela das “oito" às crianças de 10 anos. A outra seria readequar as grades da região Norte. “Mas eles (Globo) se recusam a fazer isso”, garante.
Sobre o protagonismo da Globo, Moysés é categórico: “o motor da pressão foi exclusivamente dela; as outras emissoras já tinham se comprometido a adequar sua programação à classificação indicativa”. Segundo o membro do Intervozes, essas redes não teriam que fazer grandes mudanças na grade, simplesmente precisariam deixar a grade um pouco mais light em determinados horários.
Futebol sagrado
Nas últimas semanas, a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) encomendou ao Ibope uma pesquisa, pois queria comprovar que os cidadãos dos Estados afetados pela lei 11.620/08 seriam contra a adequação da programação ao fuso horário. A iniciativa falhou quase que totalmente: a maior parte dos entrevistados apoiou o respeito à classificação indicativa.
A única reação negativa da população se deu em virtude do “cumprimento das regras” mencionadas pela pesquisa, às quais impediriam a transmissão a vivo dos jogos de futebol. Segundo o Intervozes, a pergunta foi colocada de forma descontextualizada, pois, jornalismo e eventos ao vivo podem ser transmitidos em qualquer horário. Assim, o fato de a Globo atrasar a exibição dos jogos nessas regiões nas quartas-feiras foi uma opção da emissora.
“Foi uma chantagem explícita. Ela simplesmente adiou toda a programação, fazendo com que o jogo não fosse mais transmitido ao vivo”, afirma Moysés, que atesta ser a novela, que antecede o jogo, o real problema. “É óbvio que ninguém quer ver VT de jogo”, pondera. Fonte: Brasil de Fato
A ética das cervejas
Por Guilherme Cardoso em 6/5/2008
Eis aí um crime ético de todo tamanho e que ninguém tem coragem de denunciar. Talvez até tenha, mas denunciar onde, em qual veículo, se o interesse da mídia é o mesmo? É o anúncio das empresas de publicidade em defesa da liberdade de propaganda das bebidas alcoólicas. Neste caso, a cerveja. E vem sob a chancela da Abap (Associação Brasileira das Empresas de Publicidade). Em jogo, altas verbas de anunciantes.
As peças publicitárias, divulgadas nos horários nobres das principais emissoras de televisão, dizem que não se pode tirar a liberdade de criação e divulgação de um produto, sob a alegação de que a sua mensagem esteja induzindo as pessoas a consumirem mais essa mercadoria. E que, no caso das cervejas, tenta nos convencer a Abap, não é a publicidade da bebida que faz os jovens beberem mais e tampouco não pode ser ela a responsável pelo aumento dos acidentes e mortes envolvendo motoristas embriagados. Freud pode explicar.
Que grande hipocrisia contêm essas mensagens dos publicitários... Quer dizer que a propaganda de qualquer produto não tem a finalidade de fazer com que as pessoas consumam mais? Então, de nada vale o anunciante gastar milhões de reais com a produção e veiculação de um produto se a própria entidade que reúne os publicitários anuncia que a propaganda não tem toda essa força. É o que está claro nas peças publicitárias que defendem a propaganda de cervejas em qualquer horário nas televisões.
Interesses econômicos
Pelo religioso texto que circula no horário mais caro da televisão, a propaganda de bebidas não tem culpa alguma se as pessoas bebem demais e saem rodando pela madrugada, sem noção e sem carteira, e na contramão, causando mortes, destruindo famílias. E que aquelas mulheres boazudas e quase nuas, utilizadas nos anúncios, simbolizando a loira gelada é apenas ilustração, puro subjetivismo de quem vê.
Para as agências de publicidade e, de quebra, para os veículos de comunicação, é contra a democracia qualquer tipo de limitação à publicidade de cervejas, pois o problema, na verdade, é o das famílias que não saberem educar os filhos, dos governos não construírem boas estradas e das autoridades policiais não fiscalizarem, prenderem ou punirem os infratores.
São os interesses econômicos sepultando a ética da razão.
Com a palavra, os pais, educadores, médicos, autoridades, psicólogos e psiquiatras. Estes, para dizerem se elas, as agências de publicidade, perderam a razão, ou se nós, cidadãos comuns, é que perdemos a direção e estamos embriagados. De tanta propaganda de cerveja. Fonte: Observatório de Imprensa
MÍDIA & PRECONCEITO - O escândalo Andréia Albertine e Ronaldo
Por Marcelo Daniliauskas e San Romanelli Assumpção em 6/5/2008
Lendo artigos sobre o caso Andréia Albertine e Ronaldo, uma coisa nos chamou a atenção: a grande maioria dos textos tratava Andréia de o travesti, ao invés de a travesti. Afinal de contas, ela utiliza um nome feminino.
Esse detalhe nos motivou a ler vários jornais e sites sobre o caso. Em uma pesquisa mais detalhada na Folha Online e no Estadão, de uns 20 artigos, somente um, no Estadão online, tratava Andréia por ela.
Começamos a prestar atenção nos detalhes das matérias, especificamente na linguagem e no conteúdo.
Como Ronaldo é a estrela, seu nome sempre aparece primeiro: o escândalo de Ronaldo com travestis. Andréia sempre é coadjuvante, sempre ocupa o segundo lugar. Quando ele é apresentado, pois dispensa apresentações, é o atacante do Milan, tem uma profissão de prestígio. Andréia sempre é apresentada e classificada: ela é um travesti (sic) e prostituta, ambos socialmente estigmatizados, inclusive tratados como sinônimos.
Desrespeito e desqualificação
O nome social Ronaldo fala por si só. É Ronaldo e ponto. Nenhum artigo menciona seu nome completo. Andréia quase nunca é citada como Andréia: primeiramente, é apresentada equivocadamente como o travesti, depois os artigos se referem ao nome (masculino) de registro, para depois dizer que "ele é conhecido por" (sic) Andréia Albertine.
Ao invés de utilizarem o nome pelo qual Andréia se apresenta em seu convívio social, as matérias utilizam o seu nome de registro. Além disso, seu nome quase sempre vem precedido do artigo o travesti, dobradinha que é reforçada ao longo das notícias.
Muitos artigos têm tratado dos problemas que Ronaldo pode ter por conta do escândalo, mas até agora não vi nenhum falando sobre as escandalosas mazelas que afetam Andréia Albertine:
- A exposição pessoal de Andréia, por meio da exploração de seu nome de registro completo;
- O desrespeito à identidade de Andréia por utilizar o seu nome de nascimento ou constantemente referir-se a ela pelos pronomes ou artigos masculinos; e
- A agressão da mídia que repetitivamente utiliza o travesti junto ao seu nome de registro, categorizando Andréia, tentando desqualificá-la e ao seu discurso por ser travesti.
Identidade de gênero distinta
O termo travesti é carregado de conotações sociais negativas e a mídia, ao utilizar a expressão de modo preconceituoso e ao estereotipar Andréia Albertine, limita-se a reproduzir estigmas e preconceitos.
Além de todo o oba-oba, não vimos sequer um artigo esclarecendo o que é ser travesti, explicando a necessidade da utilização do artigo feminino por se tratar de uma questão de respeito a uma identidade, e ainda pior: não se questionam os preconceitos, discriminações, violências que as travestis passam ao longo de suas vidas, que muitas vezes são fatores que determinam a prostituição como principal saída.
A prostituição é uma profissão e as prostitutas são pessoas dignas. O que questionamos aqui é que cidadania temos quando a principal possibilidade de sobrevivência de uma pessoa se restringe sobretudo a uma única profissão. A nossa sociedade fecha as portas e oportunidades para as travestis, simplesmente por viverem uma identidade de gênero distinta do que é considerado "socialmente correto".
Estigmas sociais
Neste ano comemoramos 20 anos da Constituição Federal de 1988 e 60 anos da Declaração dos Direitos Universal dos Direitos Humanos. Estamos passando por um processo democrático de conferências GLBTT nos âmbitos municipal, estadual e federal, com o tema: o caminho para garantir a cidadania de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais.
Acreditamos que neste momento de discussão sobre cidadania, esse tipo de exposição pessoal e desqualificação social a que Andréia está sendo submetida não pode passar batido, pois além de afetar diretamente esta pessoa, demonstra o quanto a sociedade está despreparada para lidar com as questões e reivindicações GLBTT.
Andréia Albertine é uma pessoa, um ser humano que tem uma história e, como todas as travestis, sofre com estigmas sociais e tem sua cidadania desrespeitada. Isso, sim, deveria ser notícia. Fonte: Observatório de Imprensa
terça-feira, 6 de maio de 2008
Contestado tem Agência de Notícias Populares
Com os principais meios de comunicação de Santa Catarina dominados por uma só empresa, é cada vez mais importante o incentivo às mídias como a Agência Contestado de Notícias Populares, AGECON. Depois de seis meses de trabalho, a Agência está no ar, ainda em fase experimental, fruto do trabalho de várias organizações sociais como a CRESOL - Tangará, Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA, Movimento dos Atingidos por Barragem – MAB, Pastoral da Juventude Rural – PJR, Sindicato dos Servidores Municipais de Fraiburgo – SINTSER, Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular de Fraiburgo – APAFEC e Jornal Vitória.
De 13/04 até dia 28/04 o site da AGECON registrou 1.170 acessos, uma média de 78 acessos diários, e é mais um importante passo que os movimentos sociais da região do Contestado dão no sentido de ocupar o latifúndio da comunicação.
Para saber mais sobre a AGECON basta acessar o site: www.agecon.org.br A missão da Agência é ser um instrumento de luta, divulgando as ações e notícias dos movimentos e outras organizações sociais, anunciando um projeto popular para o Brasil e denunciando a criminalização feita aos movimentos e organizações sociais pelos grandes meios de comunicação. Fonte: http://www.desacato.info/
De 13/04 até dia 28/04 o site da AGECON registrou 1.170 acessos, uma média de 78 acessos diários, e é mais um importante passo que os movimentos sociais da região do Contestado dão no sentido de ocupar o latifúndio da comunicação.
Para saber mais sobre a AGECON basta acessar o site: www.agecon.org.br A missão da Agência é ser um instrumento de luta, divulgando as ações e notícias dos movimentos e outras organizações sociais, anunciando um projeto popular para o Brasil e denunciando a criminalização feita aos movimentos e organizações sociais pelos grandes meios de comunicação. Fonte: http://www.desacato.info/
Fome: Alimentos como Negócio
Por Leonardo Boff
O mundo está se alarmando com a alta do preço dos alimentos e com as previsões do aumento da fome no mundo. A fome representa um problema ético, denunciado por Gandhi: “a fome é um insulto, ela avilta, desumaniza e destrói o corpo e o espírito; é a forma mais assassina que existe”. Mas ela é também resultado de uma política econômica. O alimento se transformou em ocasião de lucro e o processo agroalimentar num negócio rendoso. Mudou-se a visão básica que predominava até o advento da industrialização moderna, visão de que a Terra era vista como a Grande Mãe. Entre a Terra e o ser humano vigoravam relações de respeito e de mútua colaboração. O processo de produção industrialista considera a Terra apenas como baú de recursos a serem explorados até à exaustão.
A agricultura mais que uma arte e uma técnica de produção de meios de vida se transformou numa empresa para lucrar. Mediante a mecanização e a alta tecnologia pode-se produzir muito com menos terras. A “revolução verde” introduzida a partir dos anos 70 do século XX e difundida em todo mundo, quimicalizou quase toda a produção. Os efeitos são perceptíveis agora: empobrecimento dos solos, devastadora erosão, desflorestamento e perda de milhares de variedades naturais de sementes que são reservas face a crises futuras.
A criação de animais modificou-se profundamente devido aos estimulantes de crescimento, práticas intensivas, vacinas, antibióticos, inseminação artificial e clonagem.
Os agricultores clássicos foram substituídos pelos empresários do campo. Todo este quadro foi agravado pela acelerada urbanização do mundo e o conseqüente esvaziamento dos campos. A cidade coloca uma demanda por alimentos que ela não produz e que depende do campo.
Vigora uma verdadeira guerra comercial por alimentos. Os países ricos subsidiam safras inteiras ou a produção de carnes para colocá-las a melhor preço no mercado mundial, prejudicando os paises pobres, cuja principal riqueza consiste na produção e exportação de produtos agrícolas e carnes. Muitas vezes, para se viabilizarem economicamente, se obrigam a exportar grãos e cereais que vão alimentar o gado dos países industrializados quando poderiam, no mercado interno, servir de alimento para suas populações.
No afã de garantir lucros, há uma tendência mundial, no quadro do modo de produção capitalista, de privatizar tudo especialmente as sementes. Menos de uma dezena de empresas transnacionais controla o mercado de sementes em todo o mundo. Introduziram as sementes transgênicas que não se reproduzem nas safras e que precisam ser, cada vez, compradas com altos lucros para as empresas. A compra das sementes constitui parte de um pacote maior que inclui a tecnologia, os pesticidas, o maquinário e o financiamento bancário, atrelando os produtores aos interesses agroalimentares das empresas transnacionais.
No fundo, o que interessa mesmo é garantir ganhos para os negócios e menos alimentar pessoas. Se não houver uma inversão na ordem das coisas, isto é: uma economia submetida à política, uma política orientada pela ética e uma ética inspirada por uma sensibilidade humanitária mínima, não haverá solução para a fome e a subnutrição mundial. Continuaremos na barbárie que estigmatiza o atual processo de globalização. Gritos caninos de milhões de famintos sobem continuamente aos céus sem que respostas eficazes lhes venham de algum lugar e façam calar este clamor. É a hora da compaixão humanitária traduzida em políticas globais de combate sistemático à fome. Fonte: http://www.desacato.info/
Escolha o assunto que estará na pauta da Rádio Sintrajusc
Qual assunto deve estar na pauta da Rádio Sintrajusc no dia 16 de maio?
A primeira entrevista - sobre Plano de Carreira - será no dia 9 de maio.
Diretor do Sinergia lança livro de poemas
Dinovaldo Gilioli, da direção do Sindicato dos Eletricitários, Sinergia, lançará no dia 14 de maio, quarta-feira, às 19h, na Fundação Cultural Badesc, o livro "Cem Poemas". Haverá declamação de poemas e intervenção teatral. A Fundação Cultural Badesc fica na rua Visconde de Ouro Preto, 216 na Capital.Cinema em âmbito global para unir povos
Um evento de proporções globais, que tem como enredo principal produções cinematográficas vem inspirando milhares de produtores de mídia em todo o mundo.
O Pangea Day acontece no dia 10 de maio e vai apresentar 24 curtas-metragens selecionados entre mais de 2.500 produções. A iniciativa vai reunir pessoas para assistirem quatro horas de apresentação em diversas cidades do Planeta.
Com mais de cem países envolvidos, os filmes foram feitos com base na sua capacidade de inspirar, transformar e permitir-nos na prática da empatia por meio da sétima arte: ver o mundo pelos olhos de outra pessoa. O objetivo do projeto é unir um Planeta em que as pessoas estão divididas por fronteiras, conflitos e por diferenças ideológicas e religiosas.
O projeto vai permitir vivenciarmos o que temos em comum como outros seres viventes e existentes. A idéia do Pangea Day surgiu por uma iniciativa da cineasta egípcia Jehane Noujaim, que utilizou parte de um prêmio de US$ 1 milhão recebido para lançar o projeto, que hoje conta com o apoio e a colaboração de diversos profissionais de mídia e de organizações em todo o mundo.
O evento planetário do dia 10 de maio de 2008 acontecerá simultaneamente no Cairo, Kigali, Londres, Los Angeles, Bombaim, Rio de Janeiro e em dezenas de locais. Durante quatro horas ele será transmitido em sete idiomas e conectará milhões de pessoas por meio da Internet, redes de TV e celulares. Além dos filmes, a transmissão contará com música ao vivo e manifestações solidárias. No Brasil, ocorrerá a partir das 15 horas, horário de Brasília.
Após o evento, o Pangea Day prossegue como um pólo aglutinador de iniciativas comunitárias locais em todo o Planeta, abrindo contatos e conexões com ativistas e organizações, além de fórum de idéias e debates para estas ações sociais. Pangea é o nome original do supercontinente que continha todas as terras do mundo antes que a massa de continentes iniciasse a sua divisão geológica, há 250 milhões de anos.
Segundo o projeto, com o Pangea Day abre-se mais uma oportunidade para as pessoas começarem a superar sua divisão; desta vez, com a força do cinema. Além do site, o Pangea Day também possui um canal no You Tube, em que filmetes estão sendo inseridos com o mesmo objetivo inspirador. Fonte: NovaE
Saiba mais: Site: www.pangeaday.org Canal no YouTube: http://www.youtube.com/user/pangeaday Comercial de divulgação: http://www.youtube.com/watch?v=JxhRukX-vAw
Audiência pública debate criminalização dos movimentos sociais
Na quarta-feira (7), às 19 horas, no Plenarinho da Assembléia Legislativa, a Comissão de Segurança Pública, a pedido do deputado Sargento Amauri Soares (PDT), realiza uma audiência pública que vai debater a criminalização dos movimentos sociais. O objetivo da audiência é discutir as atitudes do Judiciário e dos órgãos de repressão contra qualquer movimento reivindicatório. O deputado aponta, em especial, o caso do militante do Movimento Passe Livre, Marcelo Pomar, que será julgado, em 13 de maio, no Tribunal de Justiça, na Capital, sob acusação de “incitação ao crime”. “É o típico caso”, denuncia Soares, “que a vítima vira réu”. Além de integrantes do Movimento Passe Livre, estão convidados representantes dos estudantes, como o DCE da UFSC, sindicatos, como o Sindsaúde, Aprasc, Sintufsc, Apufsc e Sindpd, além do MST, Ministério Público e OAB. Fonte: Alesc
Livro aborda relações de poder na UFSC
O PREÇO DO VOTO - OS BASTIDORES DE UMA ELEIÇÃO PARA REITOR
2ª edição revisada e ampliada (50 fotos e 352 pg.) - Editora Insular
Lançamento dia 8 de maio, 18h30min, no hall do Prédio da Reitoria - UFSC
“As eleições de 2007, para a Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), merecem uma análise profunda e uma crítica inteligente, pois o processo de escolha repetiu, na essência embora não na aparência, os problemas e as artimanhas das eleições de 2003. A junção do conservadorismo, quando não do reacionarismo, com a utilização da estrutura de poder gerou o medo, produzindo novamente um resultado anunciado”.
O trecho da apresentação, escrita pelo organizador Waldir José Rampinelli para sua segunda edição revisada e ampliada do livro O Preço do Voto – Os bastidores de uma eleição para Reitor, já demonstra os propósitos da obra: 1) analisar e, ao mesmo tempo, denunciar as eleições para a Reitoria-2007 da UFSC a toda a sociedade catarinense que, ao pagar seus impostos, mantém a universidade pública e gratuita e tem obrigação de saber como se deu a escolha de seu dirigente maior; 2) depurar os métodos, para que qualquer reitor que venha a ser eleito esteja ungido pela legitimidade que o cargo exige, bem como pela legalidade que o ordenamento permite. O reitor – diz o professor da Unicamp/SP Roberto Romano no Prefácio a 1ª edição – precisa de autoridade ética e científica. Caso contrário, ele se torna nocivo à Universidade.
Esta segunda edição é dedicada a José de Assis Filho e, além do prefácio de Lúcio Flávio de Almeida – Professor da PUC/SP- traz os seguintes artigos:
1. Máscaras de uma eleição, por Waldir José Rampinelli;
2. A armadilha das urnas: 20 anos de eleições diretas e de continuísmo na UFSC, de Pedro Antonio Vieira;
3. Uma imagem: mil palavras - Gleicy de Cássia Borges Rampinelli e Giovani André;
4. Quando a comunicação simula liberdade - Raquel Moysés;
5. O voto universal - Elaine Tavares;
6. O modo de produção de poder dentro da universidade - Armando de Melo Lisboa;
7. É nessa paz que eu não quero seguir admitindo - André Ruas e Ginga Vasconcelos;
8. O fetichismo das eleições - Dalton Reis e Douglas Kovaleski
9. Eleições no Colégio Agrícola de Camboriú: sobre as marcas do conservadorismo - Sandro Ricardo Rosa e Susan Aparecida de Oliveira;
10. A comunicação nas eleições da UFSC - Elaine Tavares e Míriam Santini de Abreu
11. Derrota eleitoral ou vitória da máquina administrativa? - Paulo Fernando Liedtke e Valdir Alvim;
12. O movimento estudantil sob o peso da história - Diógenes Moura Breda;
13. Decifrando o enigma - Itamar Aguiar;
14. A universidade cativa: sete mitos sobre a universidade - Nildo Domingos Ouriques.
Organizador: Waldir José Rampinelli
Local: Hall do Prédio da Reitoria – Campus Universitário – Florianópolis/SC
Data: 8 de maio de 2008
Horário: 18h30min
Preço: R$ 15,00 (somente na noite de lançamento)
segunda-feira, 5 de maio de 2008
As muitas Isabellas
Artigo de Carlos Raulino
Recentemente o caso Isabella, um crime bárbaro, teve muita repercussão na mídia, ganhando notoriedade por conta do apelo somado à covardia que choca com o requinte de crueldade, tem feito a sociedade se unir de forma efervescente na busca de justiça para o caso.
Porém, o Caso Isabella é uma pontinha mínima de um iceberg que envolve negligência e hipocrisia, onde é fato cotidiano o número cada vez maior de violações de Direitos Humanos onde as vítimas são crianças e adolescentes. De acordo com dados extraídos do Ministério da Justiça, entre os 10 maiores violadores dos Direitos estão nos primeiros lugares a mãe e o pai, em ainda entre os 10 estão as escolas e as creches.
Por ano no Brasil, mais de 4000 mil crianças morrem vítimas das violências causadas pelos agressores, e a estatística é maior nas comunidades de baixa renda, onde todo o direito da família também está sendo negligenciado, onde o estado não intervém como principal assegurador de Direitos, a mídia burguesa não cobre ou encobre muitas vezes os casos.
Mas ainda com a "encobertura" da mídia sobre os direitos violados, muita coisa ainda segue não-televisionada, como as crianças que são vítimas de balas perdidas no confronto entre a polícia e os traficantes, os números assustadores das crianças aliciadas pelo tráfico de entorpecentes ou pelo tráfico sexual, e toda essa cobertura é vista de forma negligente pela sociedade como um todo, que assiste sem nada fazer ou cobrar, ainda muito menos de chamar para si um pouco da culpa.
Em dados internacionais, de acordo com um relatório das Nações Unidas, nos últimos dez anos, já morreram dois milhões de crianças e quatro milhões ficaram gravemente mutiladas nas guerras pelo mundo. Em nossos países vizinhos, de acordo com a ADITAL, "a violência intra-familiar em 2007, em La Paz (Bolívia), aumentou em 10% em relação aos anos anteriores. São casos de violência física, acompanhados de casos de violência psicológica e, em menor escala, de violência sexual."
Na Colômbia, só no último mês de fevereiro, de acordo com a Watchlist, em seu relatório sobre a situação das crianças e jovens, vítimas da violência na Colômbia, com o título: “Colômbia: guerra aos meninos e às meninas”, retratando o período de outubro de 1996 e setembro de 1999, foram assassinados quarenta e nove meninos (4 casos foram atribuídos a funcionários públicos; 24, a paramilitares e 21, à guerrilha). Noventa e seis meninos foram mortos em 2002, vítimas de minas (estima-se que ainda existam cem mil minas espalhadas pela Colômbia).
Na Palestina, a vida de crianças e adolescentes está cada vez mais difícil. No que tange ao direito à educação, um relatório da Unrwa diz só 12 das 214 escolas da Faixa de Gaza estão funcionando devido à violência, e as crianças estão entre as principais vítimas da violência, sendo que, na última semana de março, 27 crianças foram vítimas de ações militares israelenses.
A verdade é que a diferença cultural no que diz respeito à concepção de infância tem gerado uma série de transtornos e equívocos na integração de crianças no mundo dos adultos, como o caso de crianças "soldados" no oriente médio e na África, que participam dos conflitos muitas vezes na linha de frente, lutando por causas que desconhecem ou não compreendem na relação entre suas vidas e a ideologia defendida.
Muito tem-se avançado no que tange aos Direitos Internacionais, onde muitos países são signatários da defesa integral e como prioridade absoluta na construção de políticas públicas para a infância e a juventude, mas ainda patinamos e não saímos muito do lugar no que trata da nossa concepção de proteção à infância, pois muitos pais ainda possuem a ideologia da repressão e da agressão como forma educacional, no "bom e velho" tapinha na bunda, ou o castigo por não fazer a lição. O diálogo ou até mesmo o exemplo ainda estão longe de serem a metodologia usada pelos pais e responsáveis.
Também ainda se tem a cultura do "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher", e a idéia de que todos os pais sabem como educar seus filhos, e nessas duas idéias jazem muitos direitos que são violados no espaço intra-familiar, que, como apontam os relatórios, é o espaço de maior violação de direitos.
Voltando ao caso específico da menina Isabella, e o usando como exemplo, é fato que uma intervenção da vizinhança nos primeiros gritos de pedido de ajuda, se não pudesse salvá-la, ao menos teria, logo no início, possibilitado pegar os culpados.
Assim, fica a orientação para os educadores, líderes comunitários e formadores de opiniões, que orientem as crianças e mulheres, maiores vítimas de violência familiar, para que, no momento da agressão, gritem "incêndio", pois isso foge às idéias iniciais de "privacidade" do lar durante a violência, e chamem a atenção de vizinhos. No caso de “incêndio” a intervenção de outras pessoas é sempre certa.
Crianças e adolescentes são seres em pleno desenvolvimento, não tem sua concepção de credo e ideologia política desenvolvida, mesmo que reproduzida em suas ações cotidiana, e não podem sofrer com as guerras causadas pelos adultos por estas duas razões.
Crianças e adolescentes devem ser prioridades absolutas nas políticas nacionais, regionais e internacionais, há muitas Isabellas no mundo, e muitas haverão se não mudarmos nossas concepções. Fonte: Portal Desacato
Porém, o Caso Isabella é uma pontinha mínima de um iceberg que envolve negligência e hipocrisia, onde é fato cotidiano o número cada vez maior de violações de Direitos Humanos onde as vítimas são crianças e adolescentes. De acordo com dados extraídos do Ministério da Justiça, entre os 10 maiores violadores dos Direitos estão nos primeiros lugares a mãe e o pai, em ainda entre os 10 estão as escolas e as creches.
Por ano no Brasil, mais de 4000 mil crianças morrem vítimas das violências causadas pelos agressores, e a estatística é maior nas comunidades de baixa renda, onde todo o direito da família também está sendo negligenciado, onde o estado não intervém como principal assegurador de Direitos, a mídia burguesa não cobre ou encobre muitas vezes os casos.
Mas ainda com a "encobertura" da mídia sobre os direitos violados, muita coisa ainda segue não-televisionada, como as crianças que são vítimas de balas perdidas no confronto entre a polícia e os traficantes, os números assustadores das crianças aliciadas pelo tráfico de entorpecentes ou pelo tráfico sexual, e toda essa cobertura é vista de forma negligente pela sociedade como um todo, que assiste sem nada fazer ou cobrar, ainda muito menos de chamar para si um pouco da culpa.
Em dados internacionais, de acordo com um relatório das Nações Unidas, nos últimos dez anos, já morreram dois milhões de crianças e quatro milhões ficaram gravemente mutiladas nas guerras pelo mundo. Em nossos países vizinhos, de acordo com a ADITAL, "a violência intra-familiar em 2007, em La Paz (Bolívia), aumentou em 10% em relação aos anos anteriores. São casos de violência física, acompanhados de casos de violência psicológica e, em menor escala, de violência sexual."
Na Colômbia, só no último mês de fevereiro, de acordo com a Watchlist, em seu relatório sobre a situação das crianças e jovens, vítimas da violência na Colômbia, com o título: “Colômbia: guerra aos meninos e às meninas”, retratando o período de outubro de 1996 e setembro de 1999, foram assassinados quarenta e nove meninos (4 casos foram atribuídos a funcionários públicos; 24, a paramilitares e 21, à guerrilha). Noventa e seis meninos foram mortos em 2002, vítimas de minas (estima-se que ainda existam cem mil minas espalhadas pela Colômbia).
Na Palestina, a vida de crianças e adolescentes está cada vez mais difícil. No que tange ao direito à educação, um relatório da Unrwa diz só 12 das 214 escolas da Faixa de Gaza estão funcionando devido à violência, e as crianças estão entre as principais vítimas da violência, sendo que, na última semana de março, 27 crianças foram vítimas de ações militares israelenses.
A verdade é que a diferença cultural no que diz respeito à concepção de infância tem gerado uma série de transtornos e equívocos na integração de crianças no mundo dos adultos, como o caso de crianças "soldados" no oriente médio e na África, que participam dos conflitos muitas vezes na linha de frente, lutando por causas que desconhecem ou não compreendem na relação entre suas vidas e a ideologia defendida.
Muito tem-se avançado no que tange aos Direitos Internacionais, onde muitos países são signatários da defesa integral e como prioridade absoluta na construção de políticas públicas para a infância e a juventude, mas ainda patinamos e não saímos muito do lugar no que trata da nossa concepção de proteção à infância, pois muitos pais ainda possuem a ideologia da repressão e da agressão como forma educacional, no "bom e velho" tapinha na bunda, ou o castigo por não fazer a lição. O diálogo ou até mesmo o exemplo ainda estão longe de serem a metodologia usada pelos pais e responsáveis.
Também ainda se tem a cultura do "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher", e a idéia de que todos os pais sabem como educar seus filhos, e nessas duas idéias jazem muitos direitos que são violados no espaço intra-familiar, que, como apontam os relatórios, é o espaço de maior violação de direitos.
Voltando ao caso específico da menina Isabella, e o usando como exemplo, é fato que uma intervenção da vizinhança nos primeiros gritos de pedido de ajuda, se não pudesse salvá-la, ao menos teria, logo no início, possibilitado pegar os culpados.
Assim, fica a orientação para os educadores, líderes comunitários e formadores de opiniões, que orientem as crianças e mulheres, maiores vítimas de violência familiar, para que, no momento da agressão, gritem "incêndio", pois isso foge às idéias iniciais de "privacidade" do lar durante a violência, e chamem a atenção de vizinhos. No caso de “incêndio” a intervenção de outras pessoas é sempre certa.
Crianças e adolescentes são seres em pleno desenvolvimento, não tem sua concepção de credo e ideologia política desenvolvida, mesmo que reproduzida em suas ações cotidiana, e não podem sofrer com as guerras causadas pelos adultos por estas duas razões.
Crianças e adolescentes devem ser prioridades absolutas nas políticas nacionais, regionais e internacionais, há muitas Isabellas no mundo, e muitas haverão se não mudarmos nossas concepções. Fonte: Portal Desacato
Palestra aborda remédios naturais
A palestra Oito remédios da natureza, com o professor Joel Souza, será realizada no auditório do HU da UFSC no dia 7 de maio, às 8h30. Informações: 3234-2722/9142 1303
Teatro da UFSC recebe comédia “Quem casa quer casa”
A Companhia Teatral Arte & Cena apresenta “Quem casa quer casa”, nos dias 10 e 11 de maio, às 20h30, no Teatro da UFSC. O provérbio em um ato do dramaturgo carioca Martins Pena (1815 - 1848) mostra as relações conturbadas de uma família, de forma cômica e numa crítica à sociedade da época.
No Rio de Janeiro de 1845, o casal de filhos de D. Fabiana casa-se com o casal de filhos de Sr. Anselmo. Sem condições de terem um lar próprio, os quatro vão morar com D. Fabiana e seu marido, Sr. Nicolau. A partir daí, a família convive em brigas e confusões. Para fugir das obrigações familiares, Sr. Nicolau passa o tempo todo cuidando de coisas da Igreja, enquanto a dona de casa Fabiana vive em meio ao caos instalado na família. Depois de muita encrenca, o problema é resolvido quando Sr. Anselmo chega com a solução.
O elenco é formado por Nériton Martins, Déborah Helena Porto, Diego di Medeiros, Eduardo Tasca, Júlia Darela, Juliano Paulo Silva e Maisa Rosa Fidelis, ex-alunos das oficinas do Theatro Adolpho Mello, em São José. A direção é de Mariângela Leite.
SERVIÇO: O QUÊ: Peça “Quem casa quer casa” ONDE: Teatro da UFSC, Praça Santos Dumont, campus Trindade QUANDO: Sábado, dia 10, e domingo, dia 11 de maio de 2008, às 20h30 QUANTO: R$ 10 CONTATO: DAC (48) 3721-9348 e 3721-9447 – Visite www.dac.ufsc.br - Fonte: UFSC
A ditadura no Brasil
A foto está no livro Direito à Memória e à Verdade: a ditadura no Brasil - 1964 - 1985, editado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Fundação Luterana de Diaconia e Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação. Exposição sobre o tema já passou por diversas capitais do país. O Cesusc, em Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis, também exibe fotografias sobre o período.domingo, 4 de maio de 2008
Frente parlamentar sobre redução da jornada será criada em maio
O deputado José Guimarães [PT/CE] informou, na quarta-feira, 30, que a Câmara deverá instalar na primeira quinzena de maio a Frente Parlamentar em Defesa da Jornada de Trabalho de 40 horas Semanais, sem Redução de Salário. O objetivo da frente, que já conta com cerca de 250 assinaturas de deputados e senadores, é lutar pela aprovação da PEC 393/01, que reduz a jornada de trabalho no País, entre outras mudanças.
Para que isso ocorra, segundo o parlamentar, será fundamental que o Congresso se mobilize em defesa da aprovação da matéria. Guimarães parabenizou os trabalhadores brasileiros pelas crescentes conquistas que vem sendo alcançadas nos últimos anos e afirmou que a nova jornada de trabalho trará melhoras significativas. Fonte: Agência Diap
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