terça-feira, 12 de maio de 2009

Moradores das favelas lutam para derrubar os muros

Fátima Lacerda (Agência Petroleira de Notícias)

O prefeito do Rio pretende cercar 13 favelas da Zona Sul, a pretexto de defender o meio ambiente, impedindo que continuem a crescer. Mas a consulta popular feita pela Associação de Moradores da Rocinha no último sábado, 2, uma das comunidades escolhidas pelo prefeito Eduardo Paes, revelou que a população local não quer saber de muro, apesar de muitas informações desencontradas que circulam na mídia. Dos 1184 moradores que participaram do plebiscito realizado no último sábado, 1111 disseram “não” ao muro, contra apenas 56 “sim”, enquanto 6 anularam o voto. O prefeito carioca desconfia do resultado, acusa “manipulação política”, conforme matéria divulgada em O Globo. O mais lógico seria desconfiar da forma como foi conduzida a pesquisa anterior, feita pelo Datafolha, indicando que os moradores da Rocinha estavam divididos e induzindo o leitor a acreditar que “os mais pobres eram favoráveis à construção do muro em torno da favela”. A pesquisa do Datafolha apontou “empate técnico”.
O presidente da Associação de Moradores da Rocinha, Antônio Ferreira (Xaolin), lembra o significado simbólico dos muros idealizados pelo prefeito que parece sofrer de miopia, já que não consegue enxergar além do seleto grupo social de onde provem e para quem governa. Xaolin ensina: “O muro tem um significado simbólico de separação. No caso da cidade, ele isola os mais pobres, vetando o acesso à floresta. Nós também temos o direito de acessar a mata e todo o resto da cidade livremente. O muro não impede novas construções. Ele dá força ao preconceito. Além disso, esse projeto foi imposto de cima para baixo e não houve diálogo nenhum”. (depoimento extraído do Correio da Cidadania). Na mesma linha de raciocínio, o presidente da Federação das Favelas do Estado do Rio de Janeiro/Faferj, Rossino de Castro, pergunta, perplexo: "Querem transformar as comunidades em guetos?" A atitude dos moradores da Rocinha e demais, que deverão participar do ato convocado pela Faferj, desconcerta o plano das elites. Em 1989, o mundo saudava a derrubada de um muro, o de Berlim. A luta de Nelson Mandela e tantos outros contra os muros do apartheid, na África do Sul, durou cinco décadas, até que o regime de segregação racial fosse derrubado oficialmente, em 1993. Mas a humanidade não caminha em linha reta. Vive em permanente queda de braço.
O capitalismo neoliberal reforçou novamente as muralhas, reinventando justificativas para encobrir a velha luta de classes. Ariel Sharon levantou, em 2000, o Muro da Cisjordânia que, mesmo sentenciado pelo Tribunal de Justiça de Haia (2004), continua de pé, mantendo os palestinos isolados como num campo de concentração. Com oito metros de altura, é duas vezes mais alto que o Muro de Berlim e quinze vezes mais longo. Os muros que separam os Estados Unidos do México começaram a ser construídos em 1994, com George Bush, o pai. Apesar das polêmicas que a obra gerou, em 2006, o Congresso estadunidense aprova a construção de novos muros “de segurança”, que impressionam pela tecnologia agregada: barreiras de contenção, iluminação de altíssima intensidade, detectores antipessoais de movimentos, sensores eletrônicos, rádios, policiamento ostensivo, helicópteros com armamentos separam as fronteiras de San Diego-Tijuana, Arizona, Novo México, Texas...E o que dizer do Muro de Marrocos, símbolo da ocupação marroquina no Saara Ocidental? E dos arames farpados que “protegem” da imigração as cidades espanholas de Ceuta e Melilla? Qual é a diferença entre esses muros da vergonha e os muros do Eduardo Paes? A retórica, talvez. Mas, essencialmente, a diferença é nenhuma. Conter o crescimento de favelas com muros, atribuir aos pobres a responsabilidade pela destruição das matas que restam (a maior parte já foi destruída por séculos de dominação branca); culpar, punir quem fica de fora das políticas públicas, é fazer uma aposta na guerra. É desafiar os povos segredados que, como reação natural, tenderão a ocupar mais. Sr. Prefeito, fica um apelo: que tal fazer diferente? Ouvir o que as comunidades têm a dizer e tentar governar para todos os cariocas? Nesse debate, a posição mais sensata, mais inteligente, mais civilizada é a dos moradores das favelas que só querem ser ouvidos, respeitados, integrados à cidade. No caso da Rocinha, os moradores sugerem, como alternativa ao muro, um anel viário que começaria no Morro Dois Irmãos, cercando a comunidade pela mata, já apelidadas de ‘ecotrilhas’. A idéia construir uma trilha pavimentada que serviria como área de esporte e lazer para quem vive na Rocinha, na Gávea, em São Conrado. O controle seria feito pelo poder público, por meio da guarda municipal comunitária e da guarda florestal.A favela quer negociar. Mas para ser ouvida, tem que demonstrar força. Fica o chamado: Santa Marta, Rocinha, Pedra Branca, Chácara do Céu, Parque da Cidade, Benjamin Constant, Morro dos Cabritos, Ladeira dos Tabajaras, Morro da Babilônia, Chapéu Mangueira, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Vidigal, Providência e tantas outras e todos os humanistas, sejam de que partido for. Amanhã, quarta-feira, 6 de maio, às 15 horas, compareçam ao ato em frente à Federação das Favelas do Rio de Janeiro, na Praça da República, 24, no centro, Rio de Janeiro.
Abaixo a política dos muros e dos campos de concentração! Que tal inverter o discurso dominante e começar a cobrar uma política séria de habitação popular. Será que o projeto anunciado pelo presidente Lula vai mesmo sair do papel ou ficará restrito às boas intenções? Urge que sociedade se mobilize para derrubar os muros da segregação e do preconceito.
www.apn.org.br

sexta-feira, 8 de maio de 2009

CARTA ABERTA AO ATOR SÉRGIO LOROZA

Caro Sérgio Loroza,

Você se dispôs a representar, em comerciais institucionais do SETUF (Sindicato das Empresas do Transporte Urbano de Florianópolis), o papel de um motorista e de um usuário de ônibus de minha região, a grande Florianópolis. E o que diziam esses personagens? Enalteciam o transporte coletivo oferecido pelas empresas. Aliás, o bordão final destes comerciais, caso você não se recorde mais, é o seguinte: “Transporte Público de Florianópolis, quem conhece se surpreende”.
Na arte do teatro obviamente que os personagens da ficção não necessariamente devem coincidir com os da vida real. Neste sentido, toda a liberdade à arte e à sua inventividade.
No entanto, no caso do comercial que você protagonizou, se trata de pura propaganda política inescrupulosa de empresários que tem a pretensão de usar o carisma de um artista para vender a ideia de uma verdade social inexistente.
Lamento te informar que o motorista que você protagonizou não existe. O usuário feliz que você encarnou está por nascer.
Pense bem: os empresários trabalham com o fator custo. Então você acha que se existissem motoristas satisfeitos e usuários sorridentes, não seria mais barato fazer um documentário com depoimentos destas pessoas ao invés de pagar um cachê considerável a um artista “global” como é o seu caso?
Para que você se surpreenda ouso fazer chegar ao teu conhecimento a seguinte informação: estes mesmos empresários que te contrataram pela encenação tem a intenção de demitir mil (mil!) cobradores de ônibus, semelhantes àqueles que controlavam as catracas dos coletivos nas tantas cenas de deslocamento da Marinete nos seriados de “A Diarista”. Realmente é surpreendente, não é, jogar no desemprego tanta gente? Talvez aquele seu personagem, o “Figueirinha”, adorasse isso, pois seriam mais mil biscateiros para ele agenciar em subempregos de toda ordem. Mas você, certamente, como happer que é tenho certeza não concorda com uma devastação social desta natureza.
Para você se surpreender ainda mais, te digo: as empresas de ônibus recebem mensalmente um subsídio de mais de 500 mil reais de parte da Prefeitura Municipal de Florianópolis, ou seja, abocanham cerca de 7 milhões de reais saídos dos cofres públicos quando esta quantia deveria estar sendo gasta em serviços públicos essenciais de saúde e educação, por exemplo. E neste momento estas mesmas empresas, que lucram tanto, relutam em conceder aumento salarial aos seus empregados.
Você se espantaria muito mais ainda se experimentasse andar em coletivos superlotados na hora do rush, com o calor da cidade e as longas distâncias dos trajetos. Tudo isso, é claro, depois de amargar uma longa espera nos pontos de ônibus e terminais.
Aliás, como sei que você estará em Florianópolis participando da “3ª Mostra Brasil de Cinema”, que se realizará entre os dias 12 e 16 de maio, promovida pelo grupo “Nação Hip Hop”, te convido para, junto comigo, uma delegação de Trabalhadores no Transporte (motoristas e cobradores de verdade!) e representantes dos usuários, conhecer a vida real do transporte de Florianópolis. Teria muito prazer em te acompanhar num “passeio” desta natureza. Não tenho dúvida que você ficaria boquiaberto, afinal de contas quem conhece os serviços prestados por estas empresas de transporte coletivo de Florianópolis e região, realmente se surpreende.

Respeitosamente,

Antônio Luiz Battisti - vereador (PT) em São José/SC

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Evento de 500 participantes custará R$ 10 milhões, ou seja, R$ 20 mil por pessoa. Só o Governo de SC deu R$ 5 milhões

Cláudio Magnavita - diretor do Jornal de Turismo - claudio.magnavita@gmail.com

Já acenderam as primeiras luzes de alerta vermelho para o dinheiro público que está sendo investido para a realização da 9ª Conferência Global do WTTC (World Travel & Tourism Council) em Florianópolis nos dias 15 e 16 de maio. Trata-se de um evento privado, sem nenhuma chancela de organismos internacionais, que reunirá duas centenas de convidados internacionais e igual número de convidados nacionais.Até o fechamento da edição já ultrapassava em R$ 10 milhões os gastos de dinheiro público com o evento. Serão R$ 2,5 milhões da Embratur, R$ 5 milhões do Governo de Santa Catarina e mais de R$ 2 milhões do Fundo de Turismo e Cultura do Estado e da Prefeitura de Florianópolis.O pior de tudo isso é o superdimensionamento do evento, realizado localmente, que é apresentado como divisor de águas do turismo catarinense.
Existe, também, a ideia de que um desses 100 CEO’s internacionais, que terão passagem relâmpago por Florianópolis, resolva investir localmente, justificando dessa forma os investimentos feitos. Ao superdimensionar a extensão deste evento privado, que na realidade já tinha tido o seu passe recusado pelo Brasil, depois de uma análise ponderada de custo-benefício, passou a se “justificar” uma série de gastos, que estavam sendo mantidos distantes dos olhares fiscalizantes da sociedade e do trade turístico.
Uma tentativa anterior dos organizadores, de vender a realização do WTTC no Brasil, foi afastada por correspondência assinada pela então ministra do Turismo, Marta Suplicy, que considerou que o investimento solicitado não traria um retorno para o país. E isto dentro de uma escala de valores bem menores do que a farra de gastos que passou a ocorrer em Santa Catarina.Segundo especialistas do turismo português, o evento similar realizado em Lisboa, custou um terço do que está sendo gasto nesta edição, que foi ressuscitada pela presidente da Embratur, Jeanine Pires, que é catarinense, e os dirigentes daquele Estado, que aliás, tem no seu primeiro escalão, como presidente da Fundação de Cultura, Anita Pires, mãe da presidente da Embratur e braço direito do secretário de Turismo e Cultura, Gilmar Knaesel, que é o responsável pelos gastos do milionário Fundo Estadual de Turismo e Cultura.
Nesta história, entra o bem-intencionado governador Luiz Henrique, que, achando estar fazendo um grande negócio para o futuro do turismo do seu estado, passou a criar uma oportunidade de gastos escancarados para os seus colaboradores, com contratações milionárias de empresas de organização e até a construção de uma arena de eventos que será alugada mediante recursos do Fundo de Turismo.Só para se ter uma dimensão, trata-se de um evento privado e fechado, que reunirá menos de 500 pessoas. A Feira das Américas e o Congresso da Abav, que anualmente reúne 16 mil participantes e tem uma exposição de 30 mil m², custa aos seus organizadores um pouco mais de R$ 4,5 milhões. É pelo menos a metade do que está ocorrendo em Santa Catarina.A Embratur, por decisão própria, resolveu destinar os R$ 2,5 milhões (US$ 1,2 milhão) no apagar das luzes de 2008. O convênio assinado com o Convention Bureau de Florianópolis de número 7022/2008 referente ao processo 72100001373/2008-46, foi publicado no Diário Oficial de 30 de dezembro de 2008 e, segundo a assessoria de imprensa da entidade, os recursos já foram pagos.
O JT solicitou oficialmente ao Convention Bureu uma cópia do plano de trabalho e até o fechamento da edição não havia sido enviado. Os investimentos de R$ 5 milhões do Governo do Estado foram informados pelo assessor de imprensa do governador, localizado no Uruguai, quando acompanhava o lançamento do evento na capital do país vizinho.Os recursos do Fundo de Turismo serão usados para eventos paralelos ao WTTC, entre eles um festival de manifestações culturais e de atrações catarinenses, que será realizado em paralelo no Centro de Eventos, que segundo a assessoria do secretário de Turismo, será um minissalão de turismo, com todas as regiões turísticas do Estado e na reunião do Fórum Nacional de Secretários de Turismo (Fornatur), que se reunirá na mesma data.Contrariando a previsão do Governo, os executivos internacionais participantes do Fórum não terão tempo para uma visita técnica ao Estado e a agenda dos principais nomes envolve um frustrante bate-e-volta. O trade turístico estará alijado da participação do evento, que será super-restrito e quem não for convidado do presidente da República, do governador, do ministro do Turismo e do próprio Conselho, terá de pagar US$ 5 mil.
Em termos de agregar conhecimento para a área acadêmica local e aos profissionais catarinenses, a contribuição do Fórum será nula. Eles serão forasteiros na sua própria cidade. Contrariando a nebulosidade dos gastos envolvendo o WTTC, será necessário que os organizadores, principalmente a Embratur e o Governo do Estado, passem a prestar contas publicamente de cada centavo gasto. O Jornal de Turismo, que foi o único veículo nacional de turismo a investir no turismo catarinense e abrir uma redação regional em Florianópolis, vai colocar lupa nesta prestação de contas. Acompanharemos passo a passo.Não é a primeira vez que o turismo é usado como bandeira de investimentos milionários, de efeito inócuo. Como uma série de publicações de luxo realizada em um passado recente pela Santur, sempre utilizando uma única editora, com o aval de pessoas íntimas do governador.Em diversos blogs locais estão surgindo denúncias envolvendo também o secretário Gilmar Knaesel, que passa a ficar na mira do Ministério Público. Uma das acusações é a construção da Arena Jurerê, em uma outra mistura do público e privado. Existe também a denúncia do jornalista Cesar Valente, que afirma que “a dispensa de licitação que contemplou com R$ 1,4 milhão a IBI Asia-Pacific, para atrair turistas para Santa Catarina. É empresa coligada a uma certa IBI Americas. E no site aparece, como endereço no Brasil, a R. Frei Lucínio Korte 244, sala 202, na Vila Nova, em Blumenau”, que é a cidade da região da base política de Knaesel. Depois da cassação dos governadores da Paraíba e do Maranhão, o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique, é um dos próximos a ser julgados, o que tem aguçado a velocidade de projetos milionários no Estado, principalmente na área de turismo.
A imprensa de quase todo o Estado, que está na mão de um único grupo empresarial, tem recebido verba pesada de publicidade, como é o caso do WTTC, que envolve a construção de uma cortina de grandiosidade para acobertar os gastos públicos exagerados para o evento.É necessário apurar o empenho pessoal da presidente da Embratur, a catarinense Jeanine Pires, em ressuscitar um evento que foi descartado pela sua ex-chefe, a ministra Marta. De analisar um possível conflito ético por sua mãe ser o braço direito de Gilmar Knaesel, secretário de Turismo e Cultura de Santa Catarina, que foi o órgão beneficiado com os efeitos do milionário convênio de R$ 2,5 milhões. Apurar a prestação de contas rigorosa dos gastos que estão sendo feitos em nome do WTTC pelo Governo do Estado e Prefeitura de Florianópolis; o envolvimento da Federação dos Conventions Bureaus de Santa Catarina em outros convênios visando o WTTC; a participação do Fundo no aluguel da Arena do Costão do Santinho; e fazer uma análise de todas as propostas que fazem parte da licitação obrigatória do convênio da Embratur, checando a capacitação técnica e os valores de mercado da proponente.
O caso fica ainda mais sério quando existe um movimento para levar o próprio presidente da República a Santa Catarina, para chancelar um evento que está sendo realizado, com o aval do órgão de promoção internacional do país, a Embratur, por valores, como afirmamos no início, muito a acima da sua dimensão real.

Manifestação anti-Código Ambiental reprimida por tropa de choque

Por Vera Maria Flesch

Estivemos participando de manifestação contra o Código Ambiental hoje, cinco de maio, em passeata organizada por estudantes do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSC, em caminhada desde a universidade até a casa do governador.
A manifestação era pacífica e silenciosa, ocupávamos duas pistas da Beira Mar Norte. Os automóveis passavam na terceira, tranquilamente, e muitos motoristas buzinavam em sinal de aprovação. Os estudantes levavam seus banners confeccionados com papel pardo e ninguém queria gritar palavras de ordem.
Já perto do Angeloni, fomos cercados primeiro pela guarda de trânsito, depois por policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático. Gente, somos importantes, a da elite da PM de SC! Os militares começaram a empurrar os estudantes (e nós também) para a calçada com grosseria, alguns seguravam metralhadora, outros ameaçavam usar cassetetes e gás de pimenta caso houvesse desobediência.
Um dos estudantes foi atingido por um jato desse gás e vários incidentes quase se converteram em um confronto maior, não fossem as insistentes conversas diplomáticas dos líderes. Porém, os militares se negaram a ler a autorização para a passeata, que os jovens tinham em mãos. Tentamos convencê-los de que o tema interessava a eles, inclusive (que reclamam do governador melhores salários!).
Nesta manifestação, aparentemente não havia professores. Dela, participavam talvez dois ou três ambientalistas. Modesto Azevedo e João Carlos Silva representavam a UFECO e o Fórum da Cidade.
Incrível, mas fomos reprimidos, na avenida Beira Mar, pela tropa de choque! Se eu não estivesse lá não teria acreditado na grosseria e truculência desses militares, contra uma manifestação pacífica, de interesse de todos os catarinenses.
A repressão mudou o ânimo dos estudantes. Quietos até então, começaram a cantar refrões contra o governador. E assim, fomos caminhando até a Casa da Agronômica, com um carro da patrulha à frente e outro atrás de nós -. Os buzinaços não paravam, o povo nos apoiava.
O governador estava em casa, mas se negou a receber qualquer manifestante, nem um grupo de dez, nem de cinco, nem um só, sozinho. Os jovens queriam apenas lhe entregar um manifesto, mas o chefe do executivo mandou dizer que quem quisesse entregar qualquer papel para ele deveria marcar audiência lá no Centro Administrativo, que é onde sua excelência recebe as pessoas.
Os banners de papel pardo foram colados, com fita adesiva, no muro da casa ocupada por sua excelência - cujo aluguel é pago por nós. Os jovens receberam autorização para deixar os cartazes por pouco tempo, o suficiente para registrar o ato em fotos, retirando-as em seguida. Autorização dada, logo foi ordenado, inclusive para mim, "e agora saia daqui" [da frente dos portões], com a mesma truculência de sempre.
Enquanto isso, o inquilino da ilustre Casa tinha acabado de decretar algumas medidas emergenciais para salvar os agricultores do Oeste catarinense, apavorados com os prejuízos da safra, provocados pela estiagem prolongada. Entre as medidas, estão a isenção de taxa para quem quiser cavar poços, e o envio de caminhões-pipa com água (sabe-se lá de onde), com a sugestão de que os agricultores captem água da chuva, de agora em diante, para regar suas plantações. Captar como, se não chove?
Nós precisamos ampliar esse movimento!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

SINTRAJUSC participa de ato no Dia do Trabalhador







O SINTRAJUSC participou da programação do Dia Internacional do Trabalhador, realizada no dia 30, quinta-feira, no Largo da Alfândega, em Florianópolis. O Sindicato, com o apoio do TRT, prestou esclarecimentos sobre direitos trabalhistas e as competências da Justiça do Trabalho. O Movimento Unificado contra as Privatizações (Mucap) apresentou teatro e, às 17 horas, representantes do movimento popular e sindical iniciaram a caminhada do centro da Capital até a sede da PM na Praça dos Bombeiros.



domingo, 3 de maio de 2009

Alesc exibe documentário "Maciço"

Vale a pena conferir o documentário "Maciço”, vencedor do Edital Cinemateca Catarinense/Fundação Catarinense de Cultura. “Maciço” tem 79 minutos de registro sobre as comunidades que compõem o Maciço do Morro da Cruz, em Florianópolis.
As próximas exibições, gratuitas, são as seguintes:
05 de Maio / 19h - Fundação Cultural Badesc - Rua Visconde de Ouro Preto, 216 Centro - Informações: 48 3224.8846
Convidado: José Geraldo Couto e Maria Cecilia MN Coelho

07 de Maio / 19h - Auditório Antonieta de Barros – Alesc - Rua Doutor Jorge Luz Fontes, 310 Centro - Informações: 48 3221.2500
Convidados: Vilson Groh, Jeferson Dantas, Karen Christine Rechia e Ed Soul
Mais informações em:

quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Maciço" será exibido na Casa da Memória

Nesta quinta-feira (30.04), às 19h00, na Casa da Memória (na frente da Câmara de Vereadores da Capital), será exibido o documentário “Maciço”, de Pedro MC. A sessão integra o circuito de apresentações gratuitas que o diretor está promovendo em diversos espaços da Grande Florianópolis, sempre com a presença de um debatedor – desta vez, o escritor Fábio Brüggemann.
Projeto contemplado no Edital Cinemateca Catarinense da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), o filme parte da contraposição da imagem estritamente turística da Ilha de Santa Catarina divulgada pela mídia com a realidade vivida pelos moradores de 17 comunidades que compõem o maciço do Morro da Cruz, na região central da cidade.
Com pesquisa, entrevistas e co-produção de Karen Christine Rechia, doutoranda em história do Brasil na Universidade de Campinas (Unicamp), o projeto começou em 2004. Foram gravadas cerca de 102 horas de imagens para esta produção de 79 minutos, que consumiu um ano de decupagem detalhada e outro de edição. Os próprios moradores se envolveram na execução, fazendo trabalhos de bastidor.
A primeira exibição ocorreu no Cineclube Nossa Senhora do Desterro, no Centro Integrado de Cultura (CIC), no último dia 10.


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Os carros que se danem!

Elaine Tavares

Foi preciso muita luta, mas, enfim, os trabalhadores conseguiram que a prefeitura de Florianópolis iniciasse um processo de melhoria no tráfego do transporte coletivo. A criação dos corredores exclusivos de ônibus nos horários de pico é uma ação verdadeiramente necessária e se configura numa melhoria de curto prazo, até que se possa definir, de verdade, um transporte coletivo de qualidade. É pequeno, mas é um avanço.
Antes desta decisão, as pessoas que faziam o trajeto de volta para a casa depois do trabalho precisavam amargar horas nos engarrafamentos, e todos eles provocados pelo excesso de carros. Agora, quem vai de ônibus chega mais rápido e é assim que deve ser. Eu mesmo, que moro no Campeche, sei bem o que era chegar ao lar quase às nove horas da noite, por conta das tranqueiras do trânsito.Pois não foi sem surpresa que vi apresentador do programa popular César Souza neste dia de feriado vociferar contra as faixas exclusivas. Fiquei passada porque imaginava eu que ele fosse um defensor do povo como diz ser. Mas quê! Estava ele a defender o “inalienável” direito dos que têm carro e querem o maior conforto para transitar na cidade. Ah, sim, senhor apresentador. Apenas os mui dignos representantes de sua classe e os da classe média aburguesada.
Os trabalhadores lutaram anos a fio por essa minúscula melhoria, porque ela tampouco dá conta do transtorno que é tomar um ônibus nesta cidade. Faltam horários, os ônibus são velhos, as esperas intermináveis e longas são as filas. Mas, pelo menos, com a faixa exclusiva se demora menos para chegar a casa. Os que estão no carro, geralmente só com uma pessoa dentro, que passem a usar o transporte público ou então que fiquem nas filas. São eles que atravancam o trânsito e estão muito mais confortáveis que nós, em pé, nas latas velhas.
Portanto, minha gente, fiquemos de olho. A pequena burguesia motorizada já está gritando. Não quer esperar nas filas. Nós precisamos ficar unidos para manter a decisão da prefeitura. Para quem pega ônibus a vida melhorou duzentos por cento e não vamos permitir que isso volte atrás. Vida longa aos corredores.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sindicato dos Jornalistas discute atuação do Grupo RBS em Santa Catarina


Na semana em que é celebrado o Dia do Trabalhador, o SJSC realiza a Semana do Trabalhador Jornalista, cujo eixo será a atuação do Grupo RBS no Estado. A primeira atividade será na segunda-feira, dia 27, e a segunda no dia 30 de abril, quinta-feira.
No dia 27, no auditório da FECESC, na Capital, haverá a mesa-redonda Grupo RBS: Domínio Econômico e Discursivo, da qual participam Celso Tres, Procurador da República em Tubarão, e Danilo Carneiro, membro do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ. No dia 30 será feita panfletagem, das 10 às 13 horas, no Largo da Alfândega em Florianópolis, com esclarecimentos sobre a profissão de jornalista e as implicações da atuação do Grupo RBS no Estado, que é alvo de uma Ação Civil Pública pelo Ministério Público Federal em Santa Catarina.
A Ação, de número 2008.72.00.014043-5, busca tutelar o direito de informação e expressão da população catarinense. O principal objetivo é anular a aquisição do jornal A Notícia, agora do Grupo RBS. Além disso, o MPF quer reduzir o número de emissoras de televisão do Grupo ao máximo permitido por lei, que são duas.
Para o MPF, a situação de oligopólio é clara, em que um único grupo econômico possui quase a total hegemonia das comunicações no estado. Por isso, a Ação discute questões como a necessidade de pluralidade dos meios de comunicação social para garantir o direito de informação e expressão; e a manutenção da livre concorrência e da liberdade econômica, ameaçadas por práticas oligopolistas. O Grupo é a maior rede regional de TV do país. São 18 emissoras de TV, 26 emissoras de rádio AM e FM, oito jornais e 4 portais na internet.
Outro problema é bastante conhecido pelos jornalistas. Vários profissionais foram demitidos quando o Grupo comprou o jornal joinvilense, e em 2009 ocorreu novo “enxugamento” nas redações. Além de questão do desemprego de profissionais com experiência, outro fato preocupante é que a RBS consolida uma posição discursiva privilegiada: dona de emissoras de rádio, de tevê e de jornais, ela é a grande fonte de interpretação da realidade social, espacial, política, econômica, do Estado. Santa Catarina se vê pelos “olhos” da RBS, que consolida a memória das coisas a dizer, filmar e escrever sobre SC.
O Procurador Celso Tres é um dos autores da Ação e irá conversar com os jornalistas sobre a iniciativa do MPF/SC. Já Danilo Carneiro falará sobre as limitações da forma jurídica no que se refere ao acesso da população aos meios de comunicação.
No dia 30 de abril, quinta-feira, das 10h às 13h, no Largo da Alfândega, na Capital, esse debate será levado à população como parte da iniciativa do Sindicato de refletir sobre o fazer dos jornalista no Dia do Trabalhador.

Programação:

SEMANA DO TRABALHADOR JORNALISTA


Segunda, dia 27, às 19 horas, no auditório da FECESC, na Av. Mauro Ramos, 1624, na Capital:

Mesa-redonda - Grupo RBS: Domínio Econômico e Discursivo em SC
* Fundamentos da Ação Civil Pública 2008.72.00.014043-5 – Celso Tres, procurador do Ministério Público Federal em Santa Catarina
*Comunicação, Estado e Capital: as limitações da forma jurídica – Danilo Carneiro, membro do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, inválido pela tortura

Quinta, dia 30, das 10h às 13h, no Largo da Alfândega, na Capital:
Panfletagem com esclarecimentos sobre a profissão de jornalista e as implicações da atuação do Grupo RBS no Estado

Sinergia incentiva leitura


Todas as bibliotecas públicas de Santa Catarina, diversas escolas e universidades do estado e mais de 100 entidades culturais do país estão recebendo - gratuitamente - um exemplar do livro Conto e Poesia, publicado no segundo semestre de 2008. A obra reúne os 45 trabalhos selecionados no 6o Concurso Literário promovido pelo Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis - Sinergia. Dado a abrangência e credibilidade do concurso, a obra representa uma significativa mostra da recente produção literária do estado.

Com a remessa desses quase 800 exemplares, o sindicato busca facilitar o acesso a essa produção e estimular a leitura de textos de escritores catarinenses. Essa iniciativa faz parte de sua política de ação, uma vez que o Sinergia compreende a cultura como o maior e melhor instrumento de desenvolvimento humano e de uma nação.Há 18 anos o Sinergia incorporou a ação cultural como parte de sua ação política, na sua relação com a categoria e com a sociedade. Em 2007 o sindicato lançou o livro "Sindicato e Cultura - da prática à teoria: a experiência do Sinergia', que conta a história dos 17 anos da ação cultural. Dentre os projetos culturais de maior destaque estão o "Meia Hora", que leva apresentações culturais para os locais de trabalho, as oficinas, e o concurso estadual Conto e Poesia.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Palavras não bastam

Elaine Tavares - jornalista
O discurso do presidente Barak Obama na V Cúpula das Américas foi absolutamente claro no que diz respeito à relação que seu governo pretende ter com a América Latina: ou os países da América Latina fazem o que ele manda ou a mão do império se abaterá sobre eles. Os otimistas dirão que isso é uma loucura, que nada disso foi pronunciado e, em parte, estarão certos. A fala, assim, não foi pronunciada. Mas, como dizia Jesus, quem tem ouvidos para ouvir, ouviu.Barak Obama é um homem cheio de bossa. É bonito, é simpático, carismático. Chegou com sorrisos, apertos de mão, disposto a ouvir inclusive aqueles que eram considerados “terroristas” pelo governo Bush, tal como Chávez e Morales. Falou depois do discursos de outros presidentes e não moveu qualquer músculo quando ouviu as críticas ao governo dos Estados Unidos e seu criminoso bloqueio a Cuba. Mas, quando falou, foi claríssimo. Disse que ele era diferente dos presidentes anteriores e que iria promover mudanças. Pediu que o passado fosse esquecido e que agora os demais presidentes olhassem para frente. Depois, seguiu num simpático discurso de união, respeito e cooperação. Salientou quatro pontos em relação aos quais gostaria de ter a parceria amiga dos países da América Latina: a segurança, a energia, o combate ao narcotráfico e os Direitos Humanos.Sobre Cuba a fala do “adorável” presidente não foi diferente da de qualquer outro que já passou pelo cargo. Poderia sim rever o bloqueio ou estabelecer novas relações, mas Cuba deverá “ter antes eleições livres e respeitar os direitos humanos”. Ora, qual é a diferença dos Bush pai e filho, de Reagan, de Clinton? O mesmo velho e rançoso papo da liberdade e da democracia que serve de “desculpa” para as centenas de invasões e mortes provocadas pelo país no passado que Obama pede para todos esquecerem.Obama diz que já estendeu uma mão a Cuba liberando a remessa de dinheiro e as viagens, e que agora Cuba precisa soltar os presos políticos e entrar no rumo da democracia garantindo a liberdade de expressão. Ora, de qual democracia Obama fala? Desta em que os cidadãos só votam uma vez a cada quatro anos e quase nada sabem do que se passa no mundo? Ou a democracia cubana na qual as gentes participam dos processos decisórios desde os comitês de rua? E como falar em “soltar presos políticos” quando tem uma base de Guantánamo repleta de gente que não teve sequer direito a um julgamento, além de sofrer torturas inimagináveis? E a liberdade de expressão, o que isso quer dizer? Liberdade de empresa, como a que existe nos EUA? Se esquecermos o passado podemos até pensar que a fala de Obama pode ter alguma novidade. Mas, é possível esquecer?
As quatro metas
Outros elementos do discurso de Obama devem servir para colocar a América Latina com as barbas de molho, mesmo aqueles que decidirem “esquecer o passado” de invasões, mortes, golpes de estado e intervenções clandestinas via CIA. O presidente dos Estados Unidos quer definir uma política de segurança para o Continente. Vamos então observar as letras pequenas. Quando o império fala em segurança o que está querendo dizer? Que deverá, com certeza, reforçar sua ocupação nos chamados “países falidos”, aqueles que estão em tal estado de caos e de descontrole (muitas vezes provocados pelos EUA) e que já não conseguem governar sem ajuda.Hoje os Estados Unidos já cercam militarmente todas as riquezas da América Latina. Há uma base militar em Manta no Equador, outras duas na Colômbia, em Três Esquinas e Letícia e uma em Iquitos, no Peru. Estas quatro controlam toda a regiaõ Amazônica. Existem ainda as bases de Rainha Beatrix, em Aruba e a de Hato, em Curaçao. Estas duas estão praticamente na frente da Venezuela e podem ser de grande valia num momento de ocupação da região do petróleo. E, na América Central tem a base de Comalapa, em El Salvador , a de Vieques, em Porto Rico , a de Soto do Cano, em Honduras e a de Guantánamo, em Cuba. Agora , para fechar a completa dominação os Estados Unidos desejam estabelecer uma base na Terra do Fogo, na Argentina, e outra no Brasil. Será que Lula vai permitir? Isso sem falar nas andanças da Quarta Frota pelo litoral da América Latina numa mostra aviltante do seu poderio militar. Quando fala em cooperação na segurança é disso que fala Obama: a segurança do seu país na dominação das riquezas desta que é a maior reserva energética do planeta: a América Latina.Aí chegamos ao segundo ponto: a energia. Os Estados Unidos são quase completamente dependentes do petróleo. O consumo alucinado do império não sobrevive muito tempo sem o óleo negro do oriente médio e da Venezuela. Daí que encontrar caminhos para uma energia alternativa tem muito mais a ver com a sustentação do país do que com salvar o planeta. E aí, a “cooperação” da América Latina também é muito interessante. Aqui, nas terras que ficam abaixo do rio Bravo estão as maiores riquezas do mundo. Há petróleo em abundância, há florestas, biomassa, biodiversidade, biocombustíveis, gás, minerais, enfim, um inesgotável mundo de opulência que torna este espaço geográfico muito cobiçado. Não é sem razão que o continente está cercado. Porque afinal, se faltar cooperação, sempre há a possibilidade de uma ação armada.. O combate ao narcotráfico é outra desculpa do império para interferir na vida política e econômica dos países da América Latina. Segundo estudiosos da política dos Estados Unidos, tais como John Saxe-Fernández e Marco Gandásegui, a disseminação das drogas pelos países da periferia capitalista nada mais é do que uma bem pensada forma de torná-los ingovernáveis. Com as drogas e todo o esquema de poder paralelo que se estabelece vai se criando o que os fazedores de caos chamam de “estados falidos”. Sem controle sobre o crescente narcotráfico, os países acabam precisando da providencial “ajuda” dos Estados Unidos. Este tipo de coisa é bem comum na história recente como, por exemplo, no Afeganistão, onde a produção de drogas triplicou depois da ocupação dos Estados Unidos. A mesma coisa se verifica na Colômbia, conforme conta o jornalista Hernando Calvo Ospina. Ali, com todo o aparato militar estadunidense a produção de cocaína cresceu vertiginosamente. “Na verdade, os militares estão ali para combater os grupos de libertação e para garantir o controle das riquezas”.O terceiro ponto do discurso de Barak Obama foi a necessidade dos países da américa baixa respeitarem os direitos humanos. Isso soa muito familiar. Quem não se lembra das falas messiânicas de Bush pouco antes de invadir o Iraque? Para lá mandava seus soldados na tentativa de “salvar” o povo iraquiano que vivia torturado pelo ditador Sadan Hussein. Seguindo a máxima de “esquecer o passado”, em nenhum momento o presidente Bush lembrou aos seus conterrâneos que o “sanguinário ditador” tinha aprendido a ser assim com os militares dos EUA, afinal, durante muito tempo Sadan tinha sido pupilo da CIA. E, assim como ele, o famoso Bin Laden a quem se atribui a destruição das torres que deu origem ao banho de sangue de Bush no Oriente Médio. Podemos ainda lembrar da Escola das Américas que desde 1946 vem ensinando como assassinar, torturar, destruir e desmontar a mente de um prisioneiro. Hoje ela aparece, instalada no Forte Benning, estado da Geórgia, com um nome mais inocente – Instituto do Hemisfério Ocidental para Cooperação em Segurança – mas seus objetivos seguem os mesmos. Esta é a política do presidente Obama para segurança e direitos humanos?
O futuro
A Cúpula das Américas terminou com abraços, sorrisos e destensionamento de relações humanas. Obama falou com Chávez, Chávez deu um livro para Obama. Os chefes de estado se comportam amigavelmente porque assim pede o protocolo. Mas, isso não significa que as relações entre os países sejam exatamente iguais. Tanto que, há poucos dias da cúpula, na Bolívia, as garras da velha águia tentaram o assassinato do presidente Evo Morales usando as figuras de sempre, mercenários a soldo. Nada mudou. Para aqueles que não estão dispostos a esquecer o passado, este tipo de ação, normalmente controlada pela CIA, já foi responsável pela deposição de presidentes, golpes de estado etc... Tudo como manda o manual de desestabilização dos países que caminham numa outra direção que não a que ordena o império. A alienada cobertura da mídia brasileira aos fatos que envolvem o novo presidente dos Estados Unidos também não é novidadeira. Desde sempre a elite do Brasil olhou com bons olhos a “paternal” ajuda do país do norte na política e na economia. Para essa gente, acostumada a drenar o sangue da maioria da população, não há problema nenhum em ser fiel gerente do império. As migalhas que dele sobram são suficientes para alimentar-lhes a vida boa. Então, não é sem razão que os telejornais e os jornalões saúdem a V Cúpula como um momento de glória para Obama, o simpático.Já para aqueles que sabem que o passado não pode ser esquecido sob pena de trágica repetição, o encontro não trouxe muitas novidades. Estas só poderão serão percebidas na prática cotidiana. Os dias passarão e o governo dos Estados Unidos, agora sob a batuta de Obama terá de provar, com ações reais e concretas, que mudou. Antes disso, são só palavras e estas, bem o sabemos, o vento leva.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sindicato leva donativos em visita à TI de Morro dos Cavalos


O SINTRAJUSC esteve nesta quarta-feira, 15, na Terra Indígena de Morro dos Cavalos, no Km 235 da Br-101, em Palhoça, para levar parte do que foi arrecadado para os atingidos pela enchente de novembro e ainda estava no Sindicato. A TI está celebrando a Semana da Cultura Guarani, que vai até 17 de abril com exposição e venda de artesanato e manifestações culturais.




Ler devia ser proibido

Por Guiomar de Grammon - de Belo Horizonte, Correio do Brasil

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: O conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

Guiomar de Grammon é graduada em História, Licenciatura Plena e Bacharelado, pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais. In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-73.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O subdesenvolvimento catarinense - Análise sobre o Código Ambiental

Por: Beate Frank e Lúcia Sevegnani

A aprovação, pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina, em 31 de março de 2009, de um código (anti)ambiental, contendo diversas inconstitucionalidades propostas pelo governo estadual, é, sem dúvida, um retrocesso na política ambiental, e o testemunho do desconhecimento ou da tendenciosidade dos governantes. Muitos deles desconhecem e não se deixam esclarecer sobre as relações profundas que existem entre um ambiente degradado e a baixa qualidade de vida; entre uma paisagem frágil mal cuidada e o aumento do risco de desastres naturais; entre a inexistência de florestas conservadas e biodiversas e a ocorrência de secas, enchentes e vendavais; entre a inexistência de matas ao longo dos rios e os prejuízos com enxurradas; entre solos expostos à erosão e perda de sua capacidade produtiva e conseqüente aumento dos custos de produção; entre nascentes degradadas e falta de água; e entre ambiente urbano e ambiente rural. A única relação não ignorada e bem utilizada como argumento pelos proponentes do código (anti)ambiental é que a exploração dos recursos naturais gera riqueza, que, se bem dirigida, gera acúmulo de capital, o que é comprovado pelos índices. O crescimento econômico estadual, de 9% em 2008, o mais alto índice do país, caminha paralelamente à mais alta taxa de destruição da Mata Atlântica.
A população de Santa Catarina acabou de ser penalizada, portanto, com uma lei que, se implementada, não vai lhe trazer benefícios reais. Haverá, certamente, benefícios econômicos, para poucos, e sem sustentação ao longo do tempo, dadas as demais relações desconsideradas pela nova lei.
Durante a sessão da ALESC em que o código (anti)ambiental foi aprovado, a platéia foi surpreendida com a manifestação lúcida do Deputado Édison Andrino (PMDB), que classificou o código como sendo rural e não ambiental, que isso consistia um equívoco, trazendo consigo uma série de problemas graves para Santa Catarina, difíceis de serem resolvidos. O Deputado atribuiu o fato à própria composição atual da Assembléia Legislativa, cuja base eleitoral é predominantemente rural. Mesmo assim, ele votou a favor do código. A oposição oferecida pela bancada do PT, apoiada pelos movimentos sociais e ambientalistas, surtiu pouco efeito.
É importante que se diga, porém, que esse código não é uma iniciativa isolada do governo, tanto que vimos assistindo, de forma gradativa, a uma verdadeira “erosão” da política estadual de meio ambiente e das políticas associadas.
Recentemente a ALESC aprovou lei que mutilou a área do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, criado pelo visionário governador Konder Reis, assessorado pelo Dr. Pe. Raulino Reitz, emérito botânico catarinense, reduzindo-o a um mosaico de áreas de proteção ambiental, frágeis na conservação da biodiversidade. O governo sabe que havia e há recursos financeiros depositados por conta das compensações ambientais para a indenização das terras do Parque, mas isso não foi efetivado. Aprovou também lei que facilita a instalação de pequenas centrais hidrelétricas, dando o direito do uso da água (que é um bem público) a empreendedores, sem considerar diretrizes do respectivo comitê de bacia hidrográfica, ao contrário do que prega a lei das águas.
A FATMA, um dos primeiros órgãos estaduais de meio ambiente do Brasil e que desenvolveu ações relevantes no passado, como o programa de despoluição do rio do Peixe na década de 80, vem sendo progressivamente sucateada, há muitos anos, tendo inclusive dirigentes acusados de corrupção.
Os resultados dessa “erosão” são também evidenciados através do inventário florístico florestal de Santa Catarina, que mostrou, recentemente, a situação degradada dos fragmentos florestais remanescentes no planalto catarinense, do rio Iguaçu ao rio Pelotas, região que abriga, por exemplo, o município de Campos Novos, cidade do Deputado Romildo Titon, relator do projeto de lei do código ambiental.
O plano estadual de gerenciamento costeiro, que busca o uso mais harmônico do litoral catarinense em trabalho conjunto com os municípios costeiros, encontra-se praticamente desativado. A política estadual de saneamento, sancionada em 2006, não está sendo implementada. A política estadual de recursos hídricos, que data de 1994, vem sendo praticamente ignorada, principalmente no que diz respeito à participação e à descentralização, que são seus principais fundamentos. Provavelmente outros exemplos poderiam ser acrescidos a essa lista.
Enfim, se de um lado Santa Catarina no passado foi um Estado inovador na criação de políticas voltadas à proteção do meio ambiente, o retrocesso na gestão dos recursos naturais e da proteção ambiental, nos últimos anos, tem sido sistemático, articulado e extensivo, apontando no sentido do subdesenvolvimento, produzindo um estado cada vez mais terceiro mundo, (como explica Cristóvão Buarque no artigo “O pensamento em um mundo terceiro mundo”), em que pese o desenvolvimento tecnológico de alguns setores, inclusive governamentais.
Embora seja duro admitir, a gravidade do desastre ambiental de novembro de 2008 no vale do Itajaí é fruto desse subdesenvolvimento, resultante das ações e omissões diárias de proprietários e governos no uso do solo urbano e rural. A Defesa Civil estadual, por mais modernizada e equipada, não tem outra função do que salvar as vidas humanas. A destruição, o sofrimento das pessoas, as perdas materiais, a perda de capacidade de produção de muitos ambientes, não tem como ser mitigada pela Defesa Civil nem pelo desenvolvimento tecnológico. O planejamento do uso dos recursos naturais e da paisagem, e um sistema de gestão ambiental eficiente são requeridos para uma verdadeira prevenção. Os cofres públicos estaduais engordaram em R$100 milhões ao longo de 2008, mas nada disso foi aplicado ainda em melhoria da estrutura da gestão ambiental estadual na região atingida.
Essa triste evolução remete ao livro “Colapso”, de Jared Diamond, que analisa as estratégias adotadas por povos em diferentes épocas da história, e que levaram ao seu sucesso ou fracasso, à sobrevivência ou ao extermínio. Trata-se de uma leitura recomendável, e que pode vir a abrir os olhos do leitor interessado. Diamond mostra que a capacidade de uma sociedade de reagir, de dar respostas adequadas aos problemas enfrentados, é a chave do sucesso.
Portanto, ética, acima de tudo ética, inteligência, boa-vontade, educação e muito discernimento serão requeridos para conduzir a Santa e frágil Catarina em direção a dias melhores.
* Beate Frank, doutora em Engenharia de Produção, é secretária executiva do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí e coordenadora do Projeto Piava
* Lúcia Sevegnani, doutora em Ecologia, é professora da Universidade Regional de Blumenau

sábado, 4 de abril de 2009

Entrevista com o assessor econômico do SINTRAJUSC, Washington Luiz Moura Lima

O SINTRAJUSC fez Reunião Ampliada no dia 4 de abril, sábado, na sede do Campeche, na Capital, para discutir a assistência médica do TRT. Estavam presentes o assessor econômico do Sindicato, Washington Luiz Moura Lima, e o representante dos servidores junto à GEAP, Henrique Jacinto de Oliveira. Confira as entrevistas.

Entrevista: Míriam Santini de Abreu

Entrevista com Henrique Jacintho de Oliveira, representante dos servidores do TRT junto à GEAP

Dia 4 de abril - Entrevista: Míriam Santini de Abreu

sexta-feira, 3 de abril de 2009

As manchetes do Golpe

Depois da revelação de que o governo americano patrocinou, com armas e dólares, a implantação da ditadura de 1964, um pesquisador se deu ao trabalho de coletar e divulgar na internet uma lista das manchetes e editoriais dos principais jornais brasileiros a partir de 1º de abril de 1964. Confira em:

quarta-feira, 1 de abril de 2009

STF retira recurso contra o diploma da pauta


O recurso contra o diploma para exercício da profissão de jornalista foi retirado da pauta de votações do STF nesta quarta-feira, dia 01. Não foi divulgada nova data para julgamento. Dirigentes do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, profissionais e estudantes de jornalismo da UFSC estiveram na vigília realizada na frente do prédio da Justiça Federal em Florianópolis. A Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha vão definir novas ações, mas desde já a orientação é para que se mantenha a movimentação nos estados e os preparativos para o Dia do Jornalista, 7 de abril.

E louvemos agora as grandes máquinas...

Míriam Santini de Abreu, jornalista
Ouvi o ronco da motosserra numa manhã. Imaginei que a prefeitura estaria limpando o terreno baldio atrás do prédio onde moro. Mas o resultado eu só vi na noite do dia seguinte, quando cheguei em casa e fui recolher a roupa. Tudo, absolutamente tudo, havia sido arrancado, inclusive a árvore querida na qual pousavam pássaros e que eu gostava de contemplar da janela da sala. De dia fui conferir o estrago. Dela só restou um toco com algumas farpas, em meio a um solo nu e poeirento.
Quando estive em Cambará do Sul (RS), ouvi uma piada freqüente. A região gaúcha não é mais chamada de Campus de Cima da Serra, e sim de Pinus de Cima da Serra. O pinus tomou a terra onde pastava o gado porque dá mais dinheiro. Os produtores, sempre às voltas com as migalhas da pífia política agrícola do governo, agora se dedicam às enfileiradas plantações, que crescem rápido nestas terras do Brasil.
Gosto de “viajar” no Google Earth, que permite observar qualquer parte da Terra, especialmente com o recurso pelo qual se vê o mundo em três dimensões. É com fascínio amedrontado que observo a Mata Atlântica pontilhada de cidades, a Serra do Mar cheias de estrias-estradas, a cratera cinzenta da mina de cobre de Chuquicamata no coração do Deserto de Atacama, o fulgor de Manhattan, tal como no filme AI - Inteligência Artificial. Ali está o resultado do trabalho social no que ele tem de poético, estupendo, perverso. E principalmente o resultado deste trabalho sobre a superfície terrestre. A motosserra que despedaçou a minha arvoreta é filha dessa história, gene de uma linhagem cujo apetite é cada vez mais voraz.
Veja o tamanho desta fome em:
www.youtube.com/watch?v=-pLsjqPAIdE

sexta-feira, 27 de março de 2009

O censor Gilmar Mendes

Carta aberta aos jornalistas do Brasil
Leandro Fortes

No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.
Nesta carta, contudo, falo somente por mim.
Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.
Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.
Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.
Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?
Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.
Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.

Leandro Fortes
Jornalista
Brasília, 19 de março de 2009
Foram enviadas cópias desta carta para Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj); Maurício Azedo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); e Romário Schettino, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Livro discute privatização da CSN

O Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSC convida para a Palestra com lançamento de livro TRABALHADORES, POLÍTICA E PRIVATIZAÇÃO DA CSN: PROJETOS EM DISPUTA?, do Prof. Dr. EDILSON JOSÉ GRACIOLLI, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Data: 30/03/2009 (2ª feira)
Horário: 14h
Local: Auditório da Reitoria ? UFSC

Livros que serão apresentados na palestra: 1- Um caldeirão chamado CSN: resistência operária e violência militar na greve em 1988. 2ª edição. Uberlândia (MG): Edufu. 2- Privatização da CSN: da luta de classes à parceria. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2007.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sindicalistas lançam livro em Florianópolis


Pedro Armengol e Edvaldo Pitanga contam o resultado de vinte anos testemunhando os bastidores do movimento sindical. A coletânea de histórias vividas e ouvidas pelos sindicalistas está no livro: EU MORRO E NÃO VEJO TUDO.
Armengol e Pitanga divertem o leitor com causos pitorescos e tragicômicos dos bastidores da luta dos trabalhadores no serviço público federal. Histórias que começaram nos primeiros anos da década de 1980 quando os trabalhadores davam início a um forte movimento contra a ditadura que corroia direitos individuais.
EU MORRO E NÃO VEJO TUDO traz o outro lado do movimento sindical muitas vezes desconhecido do público em geral. Os autores deitam e rolam nesta obra que conta histórias divertidas e memórias de tempos saudosos. As histórias vêm levemente apimentadas com pitadas de polêmica. Bem ao modo sindicalista. Não deixe de ler e se deliciar com este livro para também dizer: EU MORRO E NÃO VEJO TUDO.
O lançamento deste livro marca a trajetória de Armengol e Pitanga, que não querem parar por aí. Com muitas histórias ainda guardadas na manga e outras tantas por vir, o volume II é uma questão de tempo.


COQUETEL DE LANÇAMENTO EU MORRO E NAO VEJO TUDO COM PEDRO ARMENGOL
DATA: 02/04/2009

HORARIO: 20h30

LOCAL: Hotel Canto da Ilha - Av. Luiz Boiteaux Piazza, 4810 - Ponta das Canas /Florianópolis - SC
PROMOÇÃO: SINTRAFESC

terça-feira, 24 de março de 2009

Filme Equus abre a programação anual do Chá & Cultura

Na primeira sessão do Cinema, Chá & Cultura em 2009 será exibido o filme Equus, baseado na peça homônima de Peter Shaffer, de 1973. Trata-se da história do psicanalista Martin Dysart e seu paciente Alan Strang, um jovem que furou os olhos de seis cavalos, no estábulo onde trabalhava.
A peça foi levada o cinema em 1977 por Sidney Lumet, e recebeu vários prêmios. Com roteiro do próprio Shaffer, o filme teve Richard Burton e Peter Firth nos papéis do Dr. Dysart e do jovem Strang, tendo sido ambos indicados para o Oscar de melhor ator e melhor ator coadjuvante por suas arrojadas interpretações.
A exibição será no dia 27 de março (sexta-feira) e terá a participação especial do diretor Celso Nunes, que em 1975 encenou a peça no Brasil, dirigindo Paulo Autran no papel do psicanalista. Celso Nunes se formou como ator pela ECA, como diretor pela Sorbonne, estagiando com Grotowski e trazendo sua técnica para o Brasil em 1969. Doutorou-se pela ECA, implantou e dirigiu o departamento de teatro da Unicamp, levando aos palcos brasileiros vários autores, de Eurípides a Thurnbul, de Camões a Shakespeare. Celso recebeu dois prêmios da APCA por duas de suas direções e continua atuando na área teatral.
Promovido pela Fundação Cultural BADESC e Cultura Inglesa de Florianópolis, Cinema, Chá & Cultura é um projeto dedicado à exibição de filmes relativos às obras literárias de tradição anglófona. Para os idealizadores, Professores Anelise R. Corseuil (UFSC), Brígida de Miranda (UDESC), Leon de Paula (UDESC) e Maria Cecília M.N. Coelho (COGEAE-PUCSP), os encontros são uma oportunidade de exibir filmes variados e promover a discussão sobre as relações entre literatura (principalmente a dramática) e suas adaptações para o cinema A atividade é mensal e será conduzida alternadamente por um convidado ou um dos professores organizadores.
Para este encontro está programado das 18h às 19h um comentário à peça e a sua encenação, durante o qual os participantes poderão se servir de chá, feito ao modo inglês por Rosa Ferreira, gerente da Cultura Inglesa Florianópolis, e das 19h às 21h20min, a exibição do filme, no auditório da Fundação. Cinema, Chá & Cultura é gratuito e aberto a todos os interessados.
Informações: Fundação BADESC: R. Visconde de Ouro Preto, 216 – Florianópolis – 3224-8846 fundacaocultural@badesc.gov.br Cultura Inglesa: R. Rafael Bandeira, 335 - Florianópolis – 3224-2696 recepcaofln@culturainglesa-sc.com.br
Fonte: Agecom/UFSC

segunda-feira, 16 de março de 2009

Mostra de Filmes Árabes em Florianópolis

CONVITE

O Cine Arth Cinema & Humanidade - UDESC - e o Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino convidam:


مهرجان السينما العربية

Mostra de Filmes Árabes

Em parceria com Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

O Limoeiro (Lemon tree): Dia 21 de Março às 18h.
Gênero: Drama/ Duração: 106 min
Origem: Israel/ Alemanha/ França - 2008
Direção: Eran Riklis
Debatedores: Alberto Groisman - Antropologia UFSC
Nildomar Freire - Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

A grande viagem: Dia 28 de Março às 18 h.
Gênero: Drama/ Duração: 108 min.Origem: França/Marrocos - 2004Direção: Ismaël Ferroukhi
Debatedores: Claudia Espínola - Antropologia UFSC
Silvinha - Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

Paradise Now: Dia 30 de Março às 19 h.
(Dia da Terra Palestina e Dia de Mobilização Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino)
Gênero: Drama/ Duração: 90 minOrigem: Alemanha - França - Holanda – Israel - 2005Direção: Hany Abu-Assad
Debatedores: Paulo Pinheiro Machado - História -UFSC
Khader Othman - Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino
Fauzi El Mashni - Ex -embaixador da Palestina no México

Free Zone: Dia 04 de Abril às 18 h.
Gênero: Drama/ Duração: 94 min
Origem: Bélgica/ França/ Israel/ Espanha – 2005
Direção: Amos Gitai
Debatedores: Ana Brancher- História -UFSC
Silvinha - Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

Local: Museu da Escola Catarinense (antiga FAED), R. Saldanha Marinho, 196, Centro.
Entrada Franca
Após os filmes haverá debate com convidados.
Apoio: MUSEU DA ESCOLA CATARINENSE – UDESC
informações:
cinearth@gmail.com e comitepalestinasc@yahoo.com.br

30 DE MARÇO- DIA DA TERRA PALESTINA

Em 30/03/1976, os palestinos nos territórios ocupados em 1948, entraram em greve e realizaram várias manifestações contra o confisco de suas terras pelo o governo de Estado Sionista de Israel. A repressão foi forte e vários palestinos foram assassinados pelo brutal exército de Israel. Este dia ficou conhecido como o Dia da Terra, mais um dia de Luta pela Terra e pela libertação da Palestina! Neste dia ocorrem grandes manifestações na Palestina, em especial nos territórios ocupados em 1948.

30 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO
Data escolhida pelo Fórum Social Mundial - realizado em janeiro de 2009 na cidade de Bélem - Brasil para homenagear a luta de resistência do Povo Palestino e o justo direto da implantação do Estado da Palestina em seu Solo Pátrio!

Voçê é o nosso convidado(a)!
Participe e nos ajude na divulgação deste evento!

Conheça nosso blog
http://somostodospalestinos.blogspot.com/

A voz do povo

(o desmonte do PAO – Plano de Apoio à Oposição, em Santa Catarina)
Por Raul Longo - Florianópolis

16/03/2009 - Nos tempos em que o povo não era escutado, dizia-se que sua voz era a voz de Deus, mas nem por isso se evitou muito cacete no lombo dos que ousavam protestar contra os desmandos das elites e dos governantes. Talvez o axioma fosse verdade, mas para tal haveria de se concluir que Deus era censurado com o apoio de certas instituições cristãs como a TFP, que dizia marchar em Sua companhia pela tradição, família e propriedade.
Mas as coisas mudaram e tá difícil, hoje em dia, relegar o vozerio popular ao zumbido das preces ou escondê-la em calabouços, pois censurar a voz do povo, ainda mais com o advento da internet, se faz impossível.
O único instrumento que sobrou às elites é a contra-informação. A manipulação da informação do fato real, a inversão da verdadeira vontade popular. Só para exemplificar como a coisa funciona, reproduzo a nota de coluna assinada por certa senhora de nome Maria Aparecida Nery, num pequeno jornal, provavelmente semanário, de profusa policromia perceptivelmente patrocinada por interesses e especuladores imobiliários. Dá a entender a autora que os moradores da comunidade do Sambaqui prefiram descartar seus “dejetos in natura no solo e nos cursos d’água... de onde – conclui – naturalmente, tudo vai parar no mar”.
Considerando que de 24 anunciantes do pequeno jornal da dona Maria Aparecida: “Ilha Capital”, 14 promovem serviços relativos ao segmento imobiliário e que, além do anúncio de ½ página do governo do estado, todos os demais do mesmo tamanho ou de página inteira são de empreendimentos do ramo, esse house organ da ocupação livre e indiscriminada da Ilha de Santa Catarina pela especulação imobiliária, suscita muitas sugestões sobre os reais interesses da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento - CASAN - em transformar o belo manguezal da desembocadura do Rio Ratones em temporária cloaca.
Mas não incorramos em cogitações sem qualquer base de mínima informação, como faz a dona Maria Aparecida que sequer se preocupou em se inteirar sobre os laudos de pesquisas da UFSC que aferiram correnteza Zero a sul e norte do estreito canal marítimo que separa a Ilha do continente, onde diversas famílias sobrevivem da maricultura. Não sabe a dona Maria que isso significa que o que for lançado no rio e do rio ao mar, por aqui mesmo ficará.
Também não sabe que a própria CASAN reconhece que seu projeto de Estação de Tratamento de Esgoto, embora assegure filtragem de até 98% dos coliformes fecais, é ineficiente quanto aos nutrientes e metais pesados ingeridos por ostras e mariscos, moluscos bivalves que do mar vão à mesa, e da mesa à morte de quem os consome.
Mas esse pedantismo blasé ao que não é do interesse da especulação imobiliária é comportamento admirado por Dona Maria Aparecida, como se nota nos títulos de outras de suas matérias no mesmo exemplar daquele house organ: “STF detona ecochatos”, “Anulado embargo do IBAMA contra Obra” e “Sem ETE na Barra do Sambaqui” .
E assim desinformada e desinformante por falta ou excesso de interesses, ignora ou omite que a palavra de ordem reproduzida em camisetas e todos os materiais de divulgação do movimento dos moradores das comunidades do Cacupé, Santo Antonio de Lisboa, Sambaqui e Barra do Sambaqui é: Tratamento de Esgoto Sim! Esgoto no Mangue Não!
Os nomes destas pequenas, anônimas e aprazíveis comunidades, de repente se projetaram pela internet reproduzindo a voz de seus moradores ao se levantaram contra a criminosa decisão do Estado de Santa Catarina em jogar o esgoto da comunidade em um rio da localidade, só para aproveitar sobejos da verba destinada pelo governo federal, através do PAC.
Dividida em dois núcleos: Barra do Sambaqui e Sambaqui, a população da bucólica e confinada comunidade tem largo histórico de combatividade desde os anos 80, quando se cogitava a negociação com a Marinha do bosque da Ponta do Sambaqui para instalação de hotel com trapiche de atracação de lanchas e outros claros desrespeitos às tradições de sobrevivência de sua gente pesqueira.
Ainda naqueles anos de ditadura os jovens filhos dos pescadores se uniram contra os especuladores e exigiram da Marinha Brasileira a manutenção do respeito àquele rincão de usufruto popular onde se realizam as festas da comunidade, os pic-nic de finais de semana, passeios e prazerosos ou românticos namoros.
Formou-se, assim, a primeira Associação de Moradores do Município de Florianópolis, notabilizando-se o bairro como núcleo de reação aos desmandos e inconseqüências das chamadas autoridades públicas.
A partir de então, percebendo-se visada pela paradisíaca beleza de sua paisagem, arquitetura e urbanismo, a comunidade vêm criando diversos eventos para manter a coesão e mobilização: gincanas, danças e brincadeiras de rua, blocos carnavalescos, exposições de seus artistas plásticos, festas religiosas e populares. Mobilizações que resultaram em arborização de praças, instalação de equipamentos de lazer e esportes infanto-juvenis, sinalização para visitantes, cuidados e vigilância entre outras ações dos próprios moradores que têm no pequeno bairro, uma extensão de suas casas.
Evidentemente, como em toda concentração humana, há as discordâncias e eventuais dissidências, mas qualquer ameaça à preservação da natureza ou às tradicionais atividades profissionais ou culturais da localidade, imediatamente reúne a todos em prol do bem comum. Foi o que se deu, por exemplo, quando um empresário de outro estado instalou uma casa sobre balsa para moradia e exploração da ostreicultura.
Desde os anos 90, as tranqüilas águas da baía têm sido utilizadas para criação de ostras e mexilhões como alternativa da atividade pesqueira, mas pôr alguém a morar sobre o mar é outra história e se as autoridades se fizeram despercebidas, os moradores de Santo Antônio e Sambaqui se manifestaram exigindo providências que retornaram os investimentos do empresário à sua terra natal ou para qualquer outro lugar que não aqui.
Mais recente, uma inusitada onda de violência alcançou o bairro e o comando da Polícia Militar decidiu pela impossibilidade de reinstalação de um posto policial que havia da entrada de Santo Antonio de Lisboa e fora retirado pelo governo anterior. Há dois anos e antes que as manifestações da comunidade fechassem o tráfego da principal via de acesso ao norte da Ilha, o posto permanece funcionando diariamente.
Ao final do primeiro semestre de 2008, através das verbas disponibilizadas pelo Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC do governo federal, a CASAN, como administradora terceirizou a obra de instalação do tronco do sistema que coletará o esgoto do Cacupé, Santo Antônio e Sambaqui. Perceptivelmente desqualificada para o trabalho e tendo provocando diversos transtornos à comunidade, a empresa teve seu contrato de terceirização anulado por força das manifestações dos moradores através de diversas reuniões, inclusive com a presença do Ministério Público.
Sob o mesmo financiamento federal, a CASAN já instalara duvidosas e problemáticas estações de tratamento como a do bairro da Tapera e tantas outras, pretendendo reproduzir uma similar junto ao manguezal e o Rio Ratones, no núcleo habitacional da Barra do Sambaqui para o qual sequer se prevê a coleta. De esgoto, aqueles moradores ficariam apenas com o mau cheiro que, em poucos anos inviabilizaria inclusive a atividade de todos os maricultores da Baía Norte de Florianópolis, além da biologia de uma estação ecológica administrada pelo IBAMA.
Com a arrogância própria dos especuladores do capital estatal ou, melhor dizendo, público, o presidente da CASAN respondeu as manifestações da comunidade afirmando que a Estação de Tratamento de Esgoto seria instalada “Na marra”.
A mobilização dos moradores da Barra, do Sambaqui, de Santo Antônio e Cacupé estimulou outras comunidades, inclusive a da Tapera que ora se mobiliza pela suspensão do funcionamento da ETE ali instalada, altamente venosa à biologia aqüífera, inclusive as cultivadas pelos tantos produtores de ostras e mariscos de Santa Catarina.
Ainda que estatal, os rendimentos da CASAN sempre foram muito atraentes e garantiram bons empreendimentos hoteleiros aos familiares de seus ex-diretores. Associada a especulação imobiliária, a CASAN sempre encontra respaldo e apoio do setor e da mídia a ele dependente, como no pretenso informativo da dona Maria Aparecida que reproduz pérolas do que há de pior na imprensa nacional como o famigerado Reinaldo Azevedo da Veja e o, não menos, ex-assessor de Collor de Melo: Cláudio Humberto.
Também abrilhantam as mal traçadas linhas de sofrível redação dos redatores e diretores, piadinhas de forte cunho racista contra os palestinos, o governo e o partido do Presidente Lula, e máximas como a do conservador norte-americano Ben Shapiro, que bem reproduzem as perspectivas da publicação: “Chega de bons sentimentos. Não há nada de errado em tratarmos nossos inimigos como inimigos”.
Fascista, após cursar a high school de YULA Shapiro entrou em conflito com seus colegas e professores da Universidade da Califórnia, por considerá-los excessivamente liberais. Já o artigo de Reinaldo de Azevedo reproduzido no Ilha Capital é um arrazoado contra o IELA da Universidade Federal de Santa Catarina, por promover as Jornadas Bolivarianas que, a despeito do despeito do Reginaldo, tornará a ocorrer no próximo mês de abril.
Mas é isso: os reginaldos ladram e os bolivarianos passam, assim como a verdade da Voz do Povo fala mais alto do que a dos especuladores que ora se dissolvem nos desinteressantes houses organs de escusos e mal disfarçados interesses das elites.
Até aí tudo bem, faz parte da democracia e nossa função sempre foi essa mesma de desmontar planos como o desta versão do PAO – Plano de Apoio à Oposição. Só o que preocupa é a origem da verba para o financiamento do anúncio policrômico de meia página da referida edição. Terá vindo do PAC ou dos milhões destinados aos desabrigados e desassistidos de Blumenau?

sexta-feira, 13 de março de 2009

Mainardi pedirá a cabeça de Jabor?

Altamiro Borges - jornalista, é autor do livro Sindicalismo, Resistência e Alternativas

Karen Kupfer, da revista de fofocas Quem, da Rede Globo, publicou há poucos dias uma notinha reveladora sobre a relação promíscua entre jornalistas e políticos: "Para comemorar o sucesso do programa Saia Justa, Suzana Villas Boas abriu sua casa no Alto de Pinheiros para uma festança daquelas.

A turma de convidados, que também era recebida por Arnaldo Jabor, marido de Suzana, reuniu políticos, artistas e jornalistas. O candidato José Serra, para quem Suzana presta assessoria, foi prestigiá-la. Ficou um pouco e trocou idéias com alguns jornalistas". Luís Frias, presidente do Grupo Folha, também participou da festança, "que ferveu na pista até o sol raiar".

No mesmo período, a colunista Hildegard Angel escreveu no Jornal do Brasil outra nota curiosa: "Elmar Moreira, irmão de Edmar Moreira [o deputado dos demos que ficou famoso pelo castelo construído no interior mineiro], é casado com Ana Leitão, irmã de Miriam Leitão" - a jornalista da TV Globo famosa por seus palpites furados sobre economia, pela adoração ao deus-mercado e pela oposição doentia ao governo Lula. O interessante neste caso é que a colunista global, metida a sabe-tudo, nunca descreveu aos seus telespectadores os detalhes do luxuoso castelo demo.

Artista global com Kassab
Para encerrar a série sobre as relações indecentes entre jornalistas e políticos da direita, a sempre atenta Mônica Bergamo, uma das raras exceções do jornal Folha de S.Paulo, revelou no início de fevereiro: "O marido de Ana Maria Braga [estrela da TV Globo e do finado movimento golpista "Cansei'] é o mais novo colaborador da administração Gilberto Kassab (DEM/SP). Candidato derrotado à Câmara Municipal, Marcelo Frisoni vai assumir um cargo de 'coordenação' na Secretaria de Modernização, Gestão e Desburocratização" da prefeitura paulistana.

Dias antes, Bergamo foi ameaçada pelo marido brigão da artista global, que o irônico José Simão batizou de "Ana Ameba Brega". Frisoni se irritou com a pergunta sobre o pagamento da pensão alimentícia para os dois filhos do seu casamento anterior: "Publica o que quiser.

No dia seguinte, vou à redação dessa bosta de jornal e encho essa Mônica Bergamo de porrada na frente de todo mundo... A única pessoa que tentou ferrar comigo foi o Madrulha [ex-marido da apresentadora da TV Globo] e eu acabei com ele. Hoje ele é secretário de cachorro e não consegue mais nada".

Cadê o "tribunal macartista" de Mainardi?
Deixando de lado as baixarias dos "famosos", o que chama a atenção nestas notinhas é a relação obscena entre figurões da TV Globo e políticos da direita demo-tucana do país. Outra estrela da poderosa emissora, o filhinho de papai Diogo Mainardi, criou no início do mandato de Lula o seu "tribunal macartista mainardiano", no qual promoveu abjeta cruzada contra alguns profissionais da imprensa.

"A minha maior diversão é tentar adivinhar a que corrente do lulismo pertence cada jornalista", explicou o troglodita na sua coluna de estréia na revista Veja, em dezembro de 2005.

Aos poucos, Mainardi dedurou alguns colunistas mais independentes. "Tereza Cruvinel é lulista. Dessas que fazem campanha de rua. Paulo Henrique Amorim pertence à outra raça de lulistas. É da raça dos aloprados, dos lulistas bolivarianos. Acha que a primeira tarefa do lulismo é quebrar a Globo e a Veja", atacou.

O caso mais famoso desta cruzada fascista foi o do jornalista Franklin Martins, acusado levianamente de possuir uma "cota de nomeações pessoais no serviço público". Após longo bate-boca, a TV Globo preferiu apoiar o delator direitista e demitiu Franklin Martins.

Perguntar não ofende: será que Mainardi, "difamador travestido de jornalista", fará barulho agora contra seus amiguinhos da TV Globo que gozam das intimidades demo-tucanas. Pedirá a cabeça de Arnaldo Jabor, cuja esposa é assessora do presidenciável tucano José Serra, freqüentador de sua mansão?

Criticará a "cota de nomeações pessoais no serviço público" da cansada Ana Maria Braga? Pedirá detalhes picantes do castelo dos demos à "ortodoxa" Miriam Porcão - ou melhor, Leitão? Ou todos juntos - Jabor, Leitão, Ana Maria Braga e o macartista Mainardi - fazem parte do esquemão montado pela TV Globo para viabilizar a vitória do tucano José Serra em 2010?

Fonte: Diap

quinta-feira, 12 de março de 2009

SINTRAJUSC participa de ato contra a criminalização dos movimentos sociais

















O SINTRAJUSC participou na quinta-feira, dia 12, do Ato Nacional contra a Criminalização dos Movimentos Sociais e em Solidariedade aos Praças de Santa Catarina. Foi um ato em defesa da liberdade de organização das forças populares e pelo direito de cada setor da sociedade e do conjunto da classe trabalhadora de lutar por suas justas reivindicações.
A criminalização dos militantes populares e dos que vivem na pobreza é um sórdido mecanismo de poder utilizado pelas elites dominantes para manter seu “status quo” às custas da exploração da maioria do povo.
Em Santa Catarina, a aliança entre os oficiais da Policia Militar e o governador Luiz Henrique (PMDB) - governo esse que representa a oligarquia catarinense - se tornou uma afronta a todos os princípios democráticos, com perseguição às lideranças estudantis, sindicais e populares, como aos Praças da PM, que lutam por melhores condições salariais.
A tentativa de expulsar e de prender lideranças da corporação; o fechamento do sítio na internet da entidade que representa a categoria, a APRASC; o pedido na justiça de extinção da entidade, bem como, a qualificação do movimento como terrorista e guerrilheiro, tem requintes de um trágico período repressor da nossa recente história, iniciada em 1964.
Em Florianópolis, é constante a tentativa de criminalizar os movimentos sociais. O prefeito Dário Berger (PMDB) se utiliza de parte do Comando da PM para prender e agredir dirigentes sindicais, inclusive com ameaças de morte e perseguições a estes diretores. É preciso unirmos forças contra a repressão e a criminalização. É preciso honrarmos a luta de todos aqueles que dedicaram e dedicam suas vidas por uma País melhor, mais justo e democrático. Não podemos aceitar que o conservadorismo se institucionalize novamente em nossa pátria. Seja no campo ou na cidade, na luta dos sem-terra pela Reforma Agrária, na luta dos sem-teto por moradia, na luta dos trabalhadores por emprego e melhores condições salariais e na luta de todos por uma sociedade mais justa e solidária.
Foto: Míriam Santini de Abreu